terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Brisingr, Christopher Paolini



Sinopse:

Juramentos prestados. . . Lealdades testadas. . . Forças em colisão. 

Na sequência da batalha colossal nas Planícies Flamejantes contra os guerreiros do Império, Eragon e o seu Dragão, Saphira, escapam com dificuldade. 

No entanto, o Cavaleiro e o Dragão ainda terão de se deparar com inúmeros desafios… 

Eragon vê-se enredado numa série de promessas que poderá não conseguir cumprir. O juramento ao seu primo, Roran, no sentido de o ajudar a resgatar a sua amada Katrina das garras de Galbatorix. 

Todavia, Eragon deve lealdade a outros também. Os Varden precisam desesperadamente dos seus talentos e da sua força, tal como os Elfos e os Anões. E, logo que a inquietação assalta os rebeldes e o perigo espreita em cada esquina, Eragon terá de fazer escolhas que o levarão a atravessar o Império, viajando muito além. Escolhas que o poderão submeter a sacrifícios inimagináveis… 

Eragon é a grande esperança para libertar o reino da tirania. 

Conseguirá este rapaz, outrora um simples camponês, unir as forças rebeldes e assim derrotar o rei?



Opinião:


Brisingr é o terceiro livro da saga Herança de Christopher Paolini, autor norte-americano que escreveu a primeira obra aos quinze anos.

Enquanto os dois primeiros volumes são mais orientados no sentido do desenvolvimento da acção, em Brisingr, Paolini preocupa-se mais com adensar e desenvolver as suas personagens, fazendo o leitor sentir-se cada vez mais próximo destas. Não se trata de um livro aborrecido, longe disso. Continuamos a assistir a batalhas, magia, aventura, raiva, etc. mas ao longo das 800 pág. desta obra vamos entrando fundo no interior de Eragon e seus companheiros na preparação do que, na minha opinião, será a grande apoteose, a grande conclusão e o melhor dos livros de Paolini: A Herança.

Neste livro, para mim o melhor dos três que já li do autor, encontramos um Paolini mais maduro, com a natural influência que isso imprime na sua escrita.

Inicialmente o objectivo do autor foi escrever uma trilogia mas, como ele mesmo nos diz no final do livro, a necessidade de relatar a vida das personagens envolvidas na trama forçou o autor alargar-se, a demorar-se, a mudar de ideias, escrever mais um volume e não truncar nada do que tinha imaginado para a sua obra.
Agradeço-lhe por isso.

Não posso ser descritivo em relação a nenhuma  parte desta história porque facilmente poderia estar a divulgar informação que prejudicaria quem, mesmo conhecendo a aventura e até já tendo lido algum dos dois anteriores volumes, não leu Brisingr. O mais pequeno pormenor poderia revelar muito.

Direi então que se trata de uma história fantástica, rica e emocionante, nada fortuita, em que dragões, anões, elfos, humanos, espectros, homens-gato e muitas mais criaturas fantásticas interagem numa antiga e deliciosa conquista.

16 valores em 20.

Boas leituras para todos. ;)

domingo, 29 de janeiro de 2012

ENTRE LEITURAS



Leia, Ouça, Veja, mas sobretudo, Pense
[...]
Veja. 
Mas o que vê e ouve ou lê nada mais lhe traz senão matéria-prima de pensamento, já livre de muita impureza de minério bruto, porquanto antes do seu outros pensamentos o pensaram; mas, por o pensarem, alguma outra impureza lhe terão juntado. 
Nunca se precipite, pois, a aderir; não se deixe levar por nenhum sentimento, excepto o do amor de entender, de ver o mais possível claro dentro e fora de si; critique tudo o que receba e não deixe que nada se deposite no seu espírito senão pela peneira da crítica, pelo critério da coerência, pela concordância dos factos; acredite fundamentalmente na dúvida construtiva e daí parta para certezas que nunca deixe de ver como provisórias, excepto uma, a de que é capaz de compreender tudo o que for compreensível; ao resto porá de lado até que o seja, até que possa pôr nos pratos da sua balancinha de razão. 
A tudo pese. Pense.


Agostinho da Silva




Por enquanto ainda me encontro em Alagaësia, com Eragon e Orik esperando que Saphira chegue e nos leve de volta a Ellesméra para aprender algo mais que permita ao Cavaleiro do Dragão ficar mais forte, de forma a ser capaz de igualar a força do seu irmão derrotando Murtagh e o seu dragão Thorn. Ou será que os conseguirá salvar da sua obediência forçada ao Rei Galbatorix e, em conjunto, matar o Rei maldito e libertar Alagaesia do seu jugo de terror?
Logo veremos...

Boa semana a todos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os livros da nossa vida.



Saudações a todos.
Continuo a ler "Brisingr" do Paolini. Estou a adorar o livro mas devido à sua extensão ainda irei demorar um pouco a terminá-lo.

Como não quero estar tanto tempo sem ouvir novas da vossa parte gostaria muito que, se para aí estiverem virados, partilhassem comigo quais os vossos livros favoritos.
Seria extremamente interessante se explicassem o porquê da vossa escolha e dissertassem um bocadinho, mas não quero abusar. ;)

Enquanto escrevia este desafio fui-me apercebendo que não é de muito simples resposta mas o exemplo terá de partir de mim, por isso...

Quanto a escritores nacionais as minhas preferências recaem em "Os Maias" e "O Crime do Padre Amaro" (o livro, CLARO!) de Eça de Queiroz, "aparição" de Vergílio Ferreira, "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e "Intermitências da Morte" de José Saramago, "Equador" de Miguel Sousa Tavares.
Tudo o que estiver associado a qualquer um dos "nomes" de Fernando Pessoa.

Relativamente aos "outros" as possibilidades são imensas e é muito difícil enumerar mas...
"O Conde de Monte Cristo" de Alexandre Dumas, "O Meu Pé de Laranja Lima" de José Mauro de Vasconcelos, O Reino da Noite de Robert Gaillard, "A Sombra do Vento" e "Marina" do Carlos Ruiz Zafón.
Tudo o que estiver assinado por Haruki Murakami.

Poderia mencionar muitos mais no entanto, estes, não podia deixar de nomear.

Penso que o "divisor comum" às obras que referi reside no facto de todas estas terem-me, de alguma forma, surpreendido.

Apenas duas me fizeram chorar.

Adivinhem quais...

Quero a caixa de comentários cheia!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Amante da Minha Mãe, Urs Widmer


Sinopse:

A história dos acontecimentos europeus mais relevantes do século passado: os loucos anos vinte, o totalitarismo, a guerra e, em lugar destacado, a música contemporânea. A perturbante calma de um amor que pode finalmente ser contado à distância.


Opinião:

A sinopse e as opiniões da imprensa não fazem justiça a esta obra. Parece-me, aliás, que não leram o mesmo livro que eu.
"O Amante da Minha Mãe" relata a história da mãe do narrador e do homem por quem esta viveu apaixonada toda a vida, um maestro que nasceu do nada. Conta-nos ainda, sucintamente, para tentar enquadrar a senhora e a sua forma de ser, a história da mãe da mãe do narrador, do pai da mãe do narrador, do pai do pai da mãe do narrador e, como não podia deixar de ser, do pai do pai do pai da mãe do narrador.
O pai do pai do pai da mãe era um preto foragido que fez o amor e morreu nessa noite. O pai do pai da mãe era castanho e mau como tudo. O pai da mãe era cor de cobre claro e era mau como o pai. A mãe parecia filha do sol e era uma sofredora.

Antes que pensem que me encontro ébrio enquanto vos dirijo estas palavras gostaria de dizer que, em minha defesa e na procura pelo estabelecimento da verdade, o Urs Widmer, neste seu "maravilhoso livro" escreve precisamente do modo que acima se pode ler...

Quando dei por mim estava a ler o livro de duas em duas páginas, tão chato o achei. Cheguei ao fim perdendo metade da história mas pensando que o único real desperdício foi o tempo despendido para a metade que li.

Existem momentos de escrita interessante que não posso deixar e referir mas é uma obra que não me apaixonou.

7 valores em 20, e apenas por causa dos momentos bons.

Um longo bocejo para um curto livro.

Até já...




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

WOOK trouxe o correio...



Não sei se vou aguentar muito tempo a ler o livro do Widmer...

Algo me está a puxar irremediável, fogosamente... Ai, estes dragões!!

Definitivamente, a paciência "é uma cena que a mim não me assiste".

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Amor à Primeira Vista, Domingos Amaral



Sinopse:

Amor à Primeira Vista compromete-nos a todos - os que lemos jornais, vemos concursos de televisão, assistimos ao jogo e à corrupção na vida política. À primeira vista, parece um thriller, onde são visíveis os traços de um Portugal contemporâneo, apreciados e comentados por personagens que vivem ao nosso lado. Uma apresentadora de televisão (que o leitor até pode identificar...) é o primeiro sinal de que estamos diante de um chamado efeito do real. Depois seguem-se jornalistas, ministros e até falsificadores e negociantes de arte.


Opinião:

Amor à Primeira vista é o primeiro romance do autor Domingos Amaral. Este livro é uma história sobre crime, corrupção, relações pessoais e profissionais, imprensa, política e, claro está, o amor.
Tropeçamos em encontros, desencontros, paixões, aventuras e... algo mais.

Este livro é um romance que se lê facilmente, com um enredo interessante e, por vezes divertido. É curioso saborear os meandros das relações entre os diversos personagens, com as virtudes e defeitos de qualquer pessoa que pertença ao nosso grupo de conhecidos.

À semelhança de obras posteriores do mesmo autor temos emoção, bom-humor, algum drama e, claro, sexo. 

Como referi, e trata-se de um pormenor importante, este é o primeiro romance do autor, motivo pelo qual não podemos estar à espera de encontrar uma obra perfeita ou sequer muito madura, todavia tão pouco é meu desejo obnubilar o valor que lhe pertence com toda a justiça. 

Enquadra-se dentro das expectativas que trazia quando iniciei a sua leitura.

O que menos gostei foi a circunstância de ter esbarrado em dois ou três erros ortográficos que uma mais cuidada revisão facilmente teria evitado.

13 valores em 20.

E vocês que têm a dizer?
Já leram o autor?
Habitualmente gostam das primeiras obras de cada escritor ou preferem evitá-las?
Gostam de ver a evolução de um escritor ou preferem passar logo para a "fase adulta"?

Até já... ;)

sábado, 21 de janeiro de 2012

Marina, Carlos Ruiz Zafón


Sinopse:

«Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, Marina é um dos meus favoritos.» «À medida que avançava na escrita, tudo naquela história começou a ter sabor a despedida e, quando a terminei, tive a impressão de que qualquer coisa dentro de mim, qualquer coisa que ainda hoje não sei muito bem o que era, mas de que sinto falta dia a dia, ficou ali para sempre.» Carlos Ruiz Zafón «Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.» «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» «Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. «Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.»


Opinião:

Confesso que estou a ter bastante dificuldade em articular algo que seja claro para vocês que me lêem. Terminei o livro por volta da 01:00H da noite que passou e chegar ao fim deixou-me com aquela sensação de tristeza e insaciável incompletude com que os bons livros me deixam.
Tive dificuldade em adormecer e continuo bastante aparvalhado, lamento dizê-lo. Por saber seria difícil opinar em relação ao que o livro me pareceu, pensei fazê-lo só daqui a alguns dias mas por outro lado desejo muito escrever agora, enquanto as imagens, e sobretudo os sentimentos, estão à flor da pele, apesar de me toldarem o raciocínio e entorpecerem a verbalização.

Marina é um livro de Zafón. 
É uma obra forte, muito bem escrita, intensa, dura mas suave e rica. Muito rica. Apesar de não ser muito extensa, (lá estou eu com a minha mania de que os livros deveriam ter como mínimo 600 pág.),  prende-nos desde as primeiras até às últimas palavras. Devo dizer aliás que o livro tem a extensão que pode e deve ter. Não está curto nem esticado.
Marina é a narração de Óscar acerca do que lhe aconteceu no período da sua vida onde conheceu Marina,. Uma história passada na cidade de Barcelona, memórias de tempos antigos e subterrâneos e ainda uma fantástica, terrível e ensandecedora história paralela que ele, Óscar, irá com Marina descobrir e viver relacionada com... tanta coisa.

Marina é um livro de Zafón. 
Já o escrevi, sei-o bem. Todavia poderei não ter sido claro em relação ao alcance que pretendi que tivesse a afirmação. Repito-o, então:

Marina é um livro de Zafón.
Um grande livro.
Recomendo sem reservas. Não tem qualquer parte negativa.

A minha classificação: 18 valores em 20 possíveis.

Peço desculpa mas a sensação de vácuo é proporcional ao quanto gostei da obra, logo sinto-me totalmente oco.
Não consigo ser mais eloquente do que isto. 

Boas leituras. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Russendisko, Wladimir Kaminer


Sinopse:

Prostitutas e actores, caçadoras de fortunas e locutores de rádio, engenheiros e domésticas, artistas, empresários, mafiosos, desportistas e muitos outros... Os emigrantes de Leste, legais ou não, estão espalhados um pouco por toda a Alemanha e cada um tem uma história para contar.
Este é o grande êxito da recente literatura alemã. Com mais de um milhão de cópias vendidas só na Alemanha, fez de Kaminer uma das figuras mais mediáticas do país.


Opinião:

Neste livro o autor relata um conjunto de histórias sobre personagens caricatos, alguns verdadeiros anormais, no período seguinte à queda do muro de Berlim. 
É um livro bem humorado, bem menos inocente do que uma leitura mais superficial poderá induzir.
Ficamos a saber, através da caricatura, os vícios e defeitos, os costumes de russos, alemães, turcos.. até ficamos a saber como se diz "pila" num país dos Balcãs que agora não me recordo qual. ;)
Ficamos a saber sobre a emigração russa para a Alemanha, a receptividade destes, o seu funcionamento de apoio social.
São histórias breves e divertidas escritas para serem lidas num fôlego.

Para mim este livro tem um aspecto negativo que se prende com a sua estrutura.
Não gosto muito de livros de contos. Não o sendo no verdadeiro sentido da palavra porque todas as histórias estão ligadas entre si, não deixam de ser histórias individuais muito breves.
Neste tipo de estrutura não me sinto confortável. Gosto de enredos longos, onde me possa perder na sua degustação, conhecendo e tornando-me próximo dos personagens, andar com eles durante o dia, levá-los a jantar e à noite adormecer enquanto conversamos...
Neste tipo de livros isso é manifestamente impossível. 

Deste  modo atribuiria a nota de 12 valores em 20 possíveis,
ressalvando que quanto à temática mereceria bem mais mas como está estruturado desta forma não me foi muito agradável a leitura.
Para quem goste de contos ou short stories acredito que se delicie com este livro, já que está bem escrito e bem revisto, simplesmente não é a minha onda... ;P
Deu para perceber que se trata de um escritor inteligente e interessante, motivo pelo qual fiquei com vontade de ler mais obras da sua autoria.

Agora são vocês...
Conhecem o escritor?
Podem aconselhar-me mais livros seus?
Já agora, gostam de livros compostos desta forma?

Boas leituras!!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Último Segredo


Sinopse:

Uma paleógrafa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Codex Vaticanus. A polícia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pelo assassino ao lado do cadáver. 

A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajuda-la no inquérito. Mas a sucessão de homicídios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as transcendia. 

Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento. A verdadeira identidade de Cristo. 

Baseando-se em informações históricas genuínas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra excepcional como o grande mestre do mistério. Mais do que um notável romance, O Último Segredo desvenda-nos a chave do mais desconcertante enigma das Escrituras.

Opinião:

O mais recente livro de José Rodrigues dos Santos baseia-se na análise histórica do Novo Testamento seguindo as peripécias do já conhecido historiador Tomás Noronha que é chamado a participar na resolução do assassinato de uma sua colega. A acção desenrola-se depois a partir daí viajando pela Europa e acabando num outro ponto do globo que agora não interessa nada... Não revelo mais para não retirar a piada a quem quiser ler.

O tema da obra é interessante. Desmistifica uma data de aspectos do Novo Testamento à luz da História e da lógica, muitas vezes obliterando a Sagrada Escritura. Quem for mais sensível de fé e nunca a tiver questionado ou pensado por si, poderá ficar atónito com algumas passagens do livro, embora acredite que o autor não procura ser ofensivo para com a crença dos leitores, aliás isso mesmo reitera no final, primeiro pela boca do personagem e depois de viva voz. 
O seu objectivo confesso é proporcionar uma visão alternativa sustentada em conhecimentos palpáveis.
Já conhecia muito do que li através de outros textos, sempre me interessei por este assunto, de modo que não fiquei surpreendido.
Aconselho, todavia, que se encare este livro com a mente aberta. Não se lhe dê toda a credibilidade mas tão pouco se lha retire.
O caminho do meio acaba por ser sempre o mais virtuoso.

No enredo em si é que se encontra, para mim, o problema deste livro.
As aventuras de Tomás Noronha são normalmente uma história extremamente empolgante, carregada de mistério e suspense em que temos o bónus de ir descobrindo coisas fantásticas de temas acerca dos quais pouco sabemos.São páginas que voam, linhas que se saltam à frente porque queremos saber o que acontece!
Nesta obra o suspense é fraquinho e, lamento dizê-lo, por vezes demasiado previsível.

A opinião que em mim prevalece, correndo o risco de estar absolutamente equivocado, é que José Rodrigues dos Santos queria muito escrever sobre o que descobriu relativamente ao Novo Testamento. Esse seria o seu principal desiderato. O facto de contar uma história enquanto escreve sobre História acaba por tomar um papel secundário.
É precisamente aqui reside a questão. Muito cedo se inicia a "debitar" revelações bombásticas e parece que a acção se desenvolve apenas no sentido de permitir ao autor mais revelações fazer, perdendo-se assim grande parte da atenção com os personagens que, se tivesse que os catalogar diria que todos são secundários. Até o Tomás.
A aparente ânsia em falar sobre um tema penalizou a atenção a tudo o resto, resultando naquilo que até aqui expus.
Na parte final do livro, tendo o autor já mandado cá para fora tudo o que lhe merecia dizer sobre o Novo Testamento, dedica-se um pouca mais à trama.

Não posso deixar de sublinhar que toda e qualquer opinião que neste espaço apresente se trata da minha visão muito pessoal dos livros que leio.
Poderão, será até expectável que assim suceda, discordar profundamente de mim.
Cada um vê o mundo de forma diferente consoante os seus olhos.
Isso não retira mérito aos olhos, muito menos ao mundo.

A minha nota para este livro seria 13 valores em 20 possíveis.
Mereceria mais pelo interesse da investigação.
Merecia menos pela acção.

Agora digam lá de vossa justiça...
;)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O preço da Língua



Depois de fazer algumas visitas a digníssimos titulares de admiráveis blogues, sendo que alguns deles ainda por cima me honraram, e muito, com uma visita a este tão jovem e modesto espaço, tendo-se a Paula e o Nuno dado ao trabalho de me mencionar, e depois de procurar alguns títulos nas Wooks, Almedinas e afins, deparei-me com uma circunstância que não posso deixar de partilhar convosco, ainda para mais quando vocês já são tantos, o que me deixa extremamente surpreendido e com vontade de a todos dar um sentido abraço.

Há uns anitos, após algumas más experiências com a leitura de alguns livros, tomei a decisão de evitar ao máximo, dentro das minhas capacidades, evitar comprar livros traduzidos.
Foi curioso porque numa determinada altura só me saíam em sorte obras que estando traduzidas de outras línguas para o nosso português eram perfeitamente identificáveis, até para mim que tenho zero conhecimentos de técnicas de tradução, quais as palavras originais e qual a decisão do tradutor, tão à letra tinha feito ele o seu trabalho, que se tornava, para mim, impossível gostar dos livros.
E como custa admitir que não se consegue ler um livro, não é? Ainda para mais quando se criam expectativas altas e depois, nada.

Assim sendo decidi que só leria livros escritos em português ou inglês.
É evidente que depois da anunciada intenção continuei a comprar e ler os livros como até então porque estas coisas são muito bonitas ditas mas na hora de verdade eu olhava para os livros, eles retribuíam o olhar com o seu corpo atraente e já se imagina o resto... lá trazia eu outra vez o saco cheio.

Apesar do já relatado, e antes que fiquem fartinhos de me ler, estou a considerar começar a comprar livros estrangeiros em inglês em detrimento das versões traduzidas para português.
Porquê, perguntam vocês?

Por causa do preço.
Para além de os títulos serem editados primeiro, o que é normal e compreensível, são, em alguns casos, extremamente mais baratos, o que, para mim, não tem lógica nenhuma!
Percebo que eventualmente tenham de ser um pouco mais caros... mas quase o dobro?

E já agora, porque é que os títulos de jovens escritores portugueses são tão caros?
Não me parece que seja o melhor dos incentivos nem para autores nem para leitores.

Quais as vossas considerações?
Digam lá de vossa justiça.

Boas leituras, sejam em que língua forem! :)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Adolf Hitler - Mein Kampf



«Uma editora britânica quer publicar excertos do livro de Hitler, Mein Kampf, na Alemanha – excertos comentados por especialistas para ajudar a desmistificar o livro polémico.»
Sou impulsivo. A minha paixão por livros aliada a essa impulsividade faz-me, por vezes, comprar obras que embora saiba que não irei gostar (muitas vezes nem sequer lê-las) absolutamente tenho de possuir.

Isso mesmo passou-se com este livro que comprei há uns anos e me forcei a ler. A expressão adequada é mesmo "forçar-me" a ler porque quer o conteúdo quer a escrita são de difícil compreensão.
O conteúdo trata dos pensamentos e ideais de um homem que viria a ser responsável pela morte de milhões de pessoas e pela tentativa de aniquilação de um povo que ele achava maldito. Uma justificação prévia da necessidade de um massacre, ainda que de forma velada.
A escrita porque está traduzido para brasileiro. Deixem-se lá de coisas que, para mim, é melhor ler Inglês do que o "português do Brasil".

Esta editora britânica terá todo o direito de editar, sublinhar e tentar explicar o modo de pensar e agir de alguém como Hitler.

Só não poderá com isso desculpabilizá-lo ou minorar a maldade dos seus actos.

E vocês, que pensam sobre isto?

ERAGON / ELDEST


Comprei estes dois livros em 2005 ou 2006, não estou certo, nunca os tendo lido até ao final do ano passado,com a leitura de Eragon (terminei às 04:45h da madrugada de Ano Novo). Tendo no sábado terminado Eldest venho partilhar a minha opinião sobre estes dois livros, que fazem parte da mesma saga Herança.

Não sou um grande consumidor de livros do fantástico mas a forma empolgante com que Paolini relata as transformações na vida de Eragon, um jovem que descobre uma "pedra" que afinal se trata de um ovo de dragão que choca para ele, iniciando deste modo uma fantástica aventura que irá mudar toda a sua vida, da sua família, da sua aldeia e de todo o reino depressa faz com que sem esforço assimilemos toda a panóplia de nomes estranhos e mágicos de seres e lugares, nos deixemos transportar para o reino de Alagaesia, do qual passamos a ser habitante e espectador.
Foi uma leitura rápida e fácil que me deu um enorme prazer.

Se tivesse que atribuir uma nota aos dois livros daria 15 valores em 20.

Já tenho encomendado o terceiro livro da saga: Brisingr.

Boas leituras!

Prefácio

Na minha vida, chamemos-lhe interior, existem duas componentes que me definem: o humor, com particular ênfase na ironia, e os livros, sejam eles quais forem.
Já tenho um espaço onde me dedico a uma das minhas "partes", a ironia, mas não faria sentido continuar no mundo virtual privado de grande parte de mim mesmo.
Assim, nasce este espaço onde partilharei as minhas leituras, impressões, opiniões, críticas mas, mais importante do que tudo, surge o local onde espero vir a beber daqueles que comigo partilham a paixão pela leitura e pelos livros em si, onde poderemos trocar discussões, opiniões e paixões, segurando um cálice de Porto enquanto aquecemos os pés à lareira.
O céu só é o limite quando não temos a capacidade de sonhar.

Venham sonhar comigo. Quem sabe onde, juntos, iremos parar?