quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Tribunal das Almas, Donato Carrisi - Opinião



Sinopse:
"Marcus é um homem sem passado. A sua especialidade: analisar as cenas de crime para reconhecer o Mal nos pequenos detalhes e solucionar homicídios aparentemente perfeitos. Há um ano, foi gravemente ferido e perdeu a memória. Hoje, é o único que poderá salvar uma jovem desaparecida.
Este peculiar investigador enfrenta, porém, um desafio ainda maior: alguém está a usar o arquivo criminal da Igreja para revelar a verdade sobre crimes nunca oficialmente resolvidos. Assassinos são colocados perante os familiares das vítimas. Será, passado tanto tempo, saciado o desejo de vingança? Passarão os inocentes a culpados? Ou será, finalmente, feita justiça?"



Opinião:
Nas opiniões mais recentes não tenho colocado a sinopse e procuro pintar o livro com as minhas palavras. Desta feita deixo-vos como referência o "resumo oficial". Em primeiro lugar fazer uma resenha introdutória ao que li levaria, ainda que inadvertidamente, a revelar algum facto que mereça ser mantido secreto. Em segundo lugar há várias histórias ligadas entre si e mencioná-las de modo rigoroso seria uma trabalheira medonha, e incorreria, de novo, no risco de revelar demais. Em terceiro lugar... estou desiludido e não me apetece elaborar qualquer opinião.
Ainda assim tentarei. Se já me custa fazê-lo enquanto a leitura ainda está "fresca" daqui a alguns dias será um sofrimento insuportável.
Mãos à obra.

Comecei por pensar em três palavras que definissem este livro. Em pouco tempo desisti da ideia. Não seriam vocábulos que pudessem ser lidos em casas de família e gente respeitável.

Pensei em estabelecer uma comparação entre este Tribunal das Almas e Sopro do Mal - o policial/thriller que mais gostei este ano e também do mesmo autor - mas, como uma folha levada pelo vento outunal, paulatinamente a ideia foi perdendo altitude e acabou por se estatelar no húmus.

Resta-me fazer aquilo para que me pagam - ou então não - e procurar escrever algo que possa ser utilizável, na óptica de qualquer leitor.

O registo de Carrisi não se alterou de sobremaneira. Trata-se de um policial interessante, com um enredo muito intrincado, com bastantes reviravoltas, crimes, uma busca por alguém, pela verdade e pela vida.
Existem apontamentos que convidam à reflexão e salientaria alguns excertos que se quedaram na minha retina:

"Às vezes gostaríamos que a realidade fosse diferente. E se não podemos mudar as coisas, então pomo-nos a explicá-la à nossa maneira. Mas nem sempre se consegue. - pág.38.
(Aproveito para dedicar esta frase ao nosso Governo e a Sua Excelência, o Presidente da República)

"Reduzira tudo ao essencial. Por exemplo, nunca possuíra um livro. Lia muito, mas, sempre que acabava um livro, oferecia-o." - pág. 44.

"Crer em Deus não significa necessariamente amá-lo. (...) A nossa relação com ele baseia-se na esperança de que haja alguma coisa depois da morte. Mas, se não houvesse vida eterna, amaria-mos de igual forma o Deus que nos criou? (...) Eu acredito que existe um Criador, mas não alguma coisa depois desta vida. Por isso, sinto-me autorizado a odiá-lo." - pág. 213.

"(...) os colegas de trabalho tornam-se uma espécie de segunda família, porque essa é a única maneira de se enfrentar a dor e a injustiça que se encontram todos os dias." - pág. 274.

Outras passagens houve que me levaram também a reflexões várias, mais ou menos filosóficas, sobre o mal, o ser humano e sobre os dois.

A escrita é simples mas escorreita e funcional. As personagens são caracterizadas pelo que fazem ou pelo seu passado. O autor não é muito descritivo.

Posto tudo isto e procurando resumir para terminar, podem estar a indagar-se de onde provém a minha desilusão.
Pois bem, esta surge motivada pela circunstância de que não senti qualquer ligação com o livro. Custou-me regressar dia após dia a estas páginas. Não existiu nada que me desagradasse todavia também muito pouco me cativou.
A cada capítulo em que o autor adensava e enriquecia o enredo com mais "confusão" a minha energia diminuía.
No fim existem algumas reviravoltas de assinalar mas confesso que a minha reacção a estas foi nada entusiasmada.

Deixando uma daquelas frases espectaculares:
Um bom livro, muito interessante, mas que não me cativou como poderia e, sobretudo, como esperava.

Boas leituras.

7 comentários:

nuno chaves disse...

É o que acontecesse quando se tem expectativas demasiado altas...
Embora acredite no teu caso que tenha sido devido ao enorme "Sopro do Mal"
deverias ter dado mais um tempo.Parece que a detective Mila não voltou não é?
Aguardaremos pelo que Carrisi nos reserva no próximo livro, que saíu à pouco.
Veremos quanto tempo irá ele demorar a chegar cá.
Abreijos. Boas Leituras

André Nuno disse...

Olá, amigo.
A Mila não voltou mas uma personagem aconselha outra a procurá-la para encontrar uma pessoa desaparecida. É só essa referência que surge. Um elo de ligação que não chega a existir, nada mais.
É... as expectativas eram elevadas. Penso que a questão do tempo, porém, na faria diferença nenhuma. A sensação de desgosto seria a mesma daqui a um ano.
Esperemos que o próximo seja melhor!
Abreijos!!

CMachado disse...

Pareceu-me um policial com os (quotes que vc transcreveu) pitadas de filosofia.

Enfim, penso que vc gostou mais dos outros, policial puro e simples....

Com o mistério, suspense e a violência certo? :)

Abç ae

Mónica Durão disse...

É... estou a ver... vai ficar ali na prateleira até recuperar do choque... parece aquele da Nora Roberts que ando a mastigar há um mês e não passo do mesmo sitio, sendo que já li outros 3 pelo meio... afff...

Claro que vou ler este, nem que seja para te dar razão e/ou refutar alguns pontos de vista.

Mais uma vez obrigado pela opinião simples e honesta. Faltou só mesmo uma "orvalhada" a caracterizar a desilusão... afff...

André Nuno disse...

Olá, CMachado. :)
É mesmo isso. Este livro tem algumas frases filosóficas que o autor certamente desejou que fossem interessantes. Até certo ponto são mas como bem disseste gosto mais do policial puro e duro, com mistério, suspense e muita violência. :)
Abraço ae!
Boas leituras!

Mónica,
a "orvalhada" por pouco não saiu. Se não a contivesse não iria sair só uma mas um rio delas!! Foi uma desilusão. O autor usa muito da fórmula do livro anterior mas não funciona do mesmo modo e como já a conhecemos este torna-se menos interessante...
Penso que o deves ler. Pode ser que tenhas uma visão diferente da minha e possamos trocar umas orvalhadas juntos! :)
Boas leituras!!

folhasdepapel disse...

Este livro eu não conhecia mas parece-me que levanta alguns questões interessantes :)
Boas leituras!

Anónimo disse...

Achei o livro excelente...vale muito a pena ler...