sábado, 12 de outubro de 2013

D. Dinis - A quem chamaram O Lavrador , Cristina Torrão - Opinião



D. Dinis, sexto monarca português, marcou profundamente a consolidação do reino através dos seus quarenta e seis anos de governação. Fundou a primeira universidade portuguesa, substituiu o latim a língua portuguesa nos documentos oficiais, reformou quase todos os castelos, foi um diplomata de excepção, admirado, inclusivamente pelo Papa, incrementou a agricultura, a pesca e o comércio, amante da poesia e da música, ficou imortalizado pelos seus cantares. Mas a tragédia também assolou a sua alma, primeiro foi o conflito armado com o irmão, no final da vida, a dilacerante guerra com o seu próprio filho herdeiro. A seu lado, estava uma rainha de excepção, Isabel de Aragão, com a qual nem sempre as relações foram fáceis…
Neste romance, Cristina Torrão, autora do romance histórico Afonso Henriques – O Homem publicado pela Ésquilo, conduz o leitor à intimidade de um Rei justo, sábio e poeta. Nunca a esfera íntima de D. Dinis foi descrita com tanto detalhe e faceta humana.


Terminada a que já se tem tornado habitual pausa estival que faço na leitura e no blogue venho hoje partilhar a minha visão sobre este livro de Cristina Torrão.

Acabei a sua leitura há já alguns meses e tal facto justifica uma menor presença em mim da agradável sensação que me ficou ao terminá-lo, como um perfume que ao longo do tempo vai perdendo a sua fragrância. Não deixa de cheirar bem, apenas se sente menos o seu efeito. Para o bem e para o mal o tempo tem destas coisas.

Nesta obra narra-se a história de D. Dinis, enquadrando-a em todos os factos Históricos relevantes no período da sua vida. Viajamos pela História de Portugal, de Espanha, da Europa. Ao mesmo tempo que caminhamos por entre factos que a autora desenterrou dos arquivos (estou a imaginá-los poeirentos, húmidos e com teias de aranha... clássico), que conhecemos a biografia deste soberbo monarca de pelo na venta, somos embrenhados numa narração com componentes romanceados muito interessante.

Adorei o modo como a autora enquadrou a ficção no contexto histórico. Momentos houve em que não percebia se o trecho que lia pertencia à História ou ao romance e acredito que isso aconteceu por mérito da escritora.

Adorei conhecer a vida deste Rei por quem sempre senti bastante simpatia mas que, depois desta obra, admiro profundamente.

Recomendo, obviamente, a leitura desta obra a todos aqueles que se interessem, seja pelo género, pela História, ou tão somente por ler um "conto" interessante e bem escrito.

Não posso deixar de mencionar um facto digno de registo. Quero agradecer publicamente à autora a sua generosidade ao ter-me dado a possibilidade de ler a sua obra, ainda por cima, acompanhada de uma simpática dedicatória.

Obrigado, Cristina.

Boas leituras a todos.

4 comentários:

nuno chaves disse...

Welcome Back!
Já tinha lido várias opiniões sobre este livro. Tendo em conta que em termos de leituras, temos similares, talvez um destes dias dê uma oportunidade. Nunca li nada desta autora.
Abraços. e Continuação de boas leituras

André Nuno disse...

Muito obrigado, meu amigo. Como sabes só volto quando sinto saudades, demore o tempo que demorar. No fim de contas tinhas razão. Aquela barrigada de policiais provocou-me uma indigestão literária. :) Mas não penso abandonar a temática. Vou, talvez, doseá-la em porções mais moderadas.
Este livro é muito agradável. Senti que estava a aprender algo de significativo sem me maçar nada. Não é um romance arrebatador. Não tinha de o ser. Enquadro-o no género e evito fazer comparações que lhe seriam injustas.
Vou já a tua casa beber uma "bejeca"...
Um abraço.

Denise disse...

Olá André :)

Gostei do comentário ao livro. Vou considerar a sua leitura num futuro próximo!

Boas leituras.

André Nuno disse...

Olá, Denise. :)
É um livro interessante que me agradou bastante.
Muito obrigado pela visita!
Boas leituras.