quinta-feira, 28 de março de 2013

Incendiário, Chris Cleave - Opinião



Sinopse:
Entre as vítimas de um atentado terrorista ocorrido durante um jogo de futebol em Londres, estão o marido e o filho da mulher que, destroçada, escreve agora uma carta a Osama bin Laden. Num tom simultaneamente emotivo, lúcido, magoado e chocantemente humorístico, ela tenta convencer Osama a abandonar a sua campanha de terror, revelando a infinita tristeza e o coração despedaçado de quem, no fundo, é apenas mais uma das suas vítimas. Mas o atentado é apenas o começo. Enquanto medidas de segurança transformam Londres num território virtualmente ocupado, a narradora também se encontra sob cerco. De início, ela recupera forças ajudando no esforço antiterrorista. Mas quando se envolve com um casal de classe alta, dá por si a ser gradualmente arrastada para uma teia psicológica de culpa, ambição e cinismo, que corrói a sua fé na sociedade que defende. E quando uma nova ameaça de bomba atira a cidade para mais uma vaga de pânico, ela vê-se forçada a actos de profundo desespero …Mas reside aí, talvez, a sua única hipótese de sobrevivência.
Um romance assombroso. O melhor romance que já se escreveu sobre o terrorismo.


Opinião:
Incendiário é um livro sobre vários temas. Com o terrorismo como pano de fundo, Cleave aborda as relações humanas, as clivagens sociais, a perda, o sexo, o sofrimento e a loucura que todos temos adormecida no nosso interior à espera de uma faísca que lhe sirva de ignição. É um romance é uma comédia pintada de negro sobre uma sociedade pressionada ao limite tendo o terror como alavanca.

Sendo este o segundo livro que leio do autor, trata-se do primeiro romance que ele escreveu.
A minha avaliação divide-se entre o muito bom e o mediano.

A obra está dividida em quatro partes: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Na minha perspectiva o ambiente da narrativa é influenciado pela respectiva estação do ano, da mesma forma que as estações influenciam as pessoas e este é um livro que explora o comportamento humano. Cleave tem, aliás, formação em Psicologia Experimental e essa circunstância fornece-lhe atributos que o autor muito bem sabe explorar nos livros que escreve.

Pareceu-me que a primeira metade da obra está muito bem conseguida, Cleave caracteriza muito bem as personagens, atribui-lhes personalidade e coerência. Nem sempre consegui justificar, à luz da minha experiência, alguns comportamentos que li, mas o autor sabia o que queria e para onde me desejava levar. Lá fui com ele e gostei da viagem.

A segunda metade deste Incendiário, ou talvez tenha sido o último terço, não sei, não me pareceu tão bem esgalhado. A páginas tantas dei por mim a pensar:
- Foda-se mas o gajo sabe o que raio quer fazer desta história?!
E a resposta foi...  Hã... Deu-lhe um jeito.

Penso que, enquanto desenvolvia o enredo, o escritor foi grandioso, todavia quando o quis concluir fiquei com a sensação que não sabia muito bem o rumo que dar à história.

Analisar a leitura de uma perspectiva filosófica levar-me-ia a afirmar que a exploração da condição humana pressionada ao limite nos leva ao coiso e tal...
Como normalmente a base da minha análise se prende com o prazer que sinto, digo simplesmente que gostei muito de metade, assim-assim de um terço, e muito pouco de dois sextos.

Já agora, relativamente à tradução tenho algo a acrescentar.
O livro não tem uma vírgula. Uma só. A narradora, afirma por uma vez, na sua longa missiva a Osama Bin Laden que é este livro, que não sabe escrever muito bem. A Terence ela diz que não sabe usar as vírgulas, quando este acaba por lhe oferecer trabalho. Não conheço o texto original. Se por acaso a não utilização de vírgulas foi obra do autor devo aplaudir o trabalho de tradução por se manter fiel ao original.
Mas, porém, todavia, contudo... a leitura de um livro inteiro sem este tão "piqueno" mas fundamental sinal de pontuação torna-se um frete. Por inúmeras vezes tive de voltar atrás no texto para separar as orações e conseguir assimilar o conteúdo na íntegra.
Seja, pois, demasiado voluntarismo por parte de Cleave, seja demasiada parvalheira da senhora tradutora o certo é que não gostei.

Falando, neste caso escrevendo, para a senhora  Isabel Alves, a tal da tradução, aqui fica uma lição de português (e aproveite porque esta é de borla):

"Antes DE  MAIS devo dizer que V.Exa. erra DEMAIS".
Consegue perceber a diferença na utilização??

É que já chateia, mas chateia-me à brava, (e agora dirijo-me ao enxame todo) tantos livros em que as ilustríssimas intelectualidades que fazem as eloquentíssimas traduções... não sabem escrever Português.

Pronto. Já está.

Boas leituras.

domingo, 24 de março de 2013

Pensar Nos LIvros - Um blogue do outro mundo.



Quem o diz é a Rita do blogue A Magia dos Livros.

Rita, agradeço-te o facto de te teres lembrado deste humilde cantinho. Fico sempre feliz por saber que ainda há quem tenha paciência para me ler e, ainda por cima, considerar-me merecedor de um epíteto deste calibre.
Como sou um leitor assíduo do A Magia dos Livros, vi que lá tinha esta surpresa ainda antes de a Rita ma anunciar.
Assim, depois de um delicioso murro nas ventas da Olivia Darko, levei mais um tau-tau formidável! :)

As regras da atribuição deste selo são:

1-Colocá-lo no teu blog;
2- Referir o link de quem te enviou;
3- Dizer quais são as três coisas que mais gostas num livro e as três que mais odeias;
4- Passar o selo a 5 (ou mais blogs) que consideres de outro mundo.

Cumpridos os primeiros pontos e, porque estou bem disposto, vou fazer o impensável e responder com vontade e honestidade às devidas questões:

As três coisas que mais gosto num livro são:
1- Um enredo apaixonante, viciante, denso e com muito suspense. 
2- Linguagem variada e personagens inteligentes e bem elaborados.
3- Finais inesperados e nem sempre felizes.
3- Gosto que me façam sofrer.
:)

As três coisas que mais odeio são:
1- Erros gramaticais, de tradução e gralhas.
2- Inconsistências e incoerências no enredo.
3- Previsibilidade e sentimentalismo sem regra.

Agora falta passar o selo a 5 blogues.
Neste ponto estou a ficar cansado mas prossigo com humildade e altruísmo.

And the Oscar goes to...

Como hoje estamos numa de coisas inesperadas, informo desde já que não avisarei ninguém sobre o prémio que lhes atribuo... e sempre quero ver quem o vem buscar. Muhahahaha.
:)

Boas leituras!! 

O Filho de Ninguém, Olívia Darko - Opinião




Sinopse:
Justino viveu isolado do mundo os primeiros 26 anos da sua vida, tendo apenas a mãe por companhia.
Quando faz a transição para a vida em sociedade, os lapsos de memória que sempre o tinham acompanhado recomeçam, mais fortes e menos espaçados, e assaltam-no memórias de vivências que não tem a certeza de serem reais, mas que se tornam cada vez mais vívidas e perturbadoras.
A aproximação de uma mulher, Sofia, provoca um turbilhão de emoções contraditórias que o conduzem a um caminho sem retorno, e o único fim possível acaba por ser a descoberta da terrível verdade que estava enterrada no seu subconsciente.

Opinião:
Justino cresceu isolado do mundo apenas na companhia de sua mãe, Maria. Aos sete anos de idade foi inscrito na escola mas rápido a sua falta de competências sociais, de capacidade de socialização levaram-no a ser retirado do aterrador e incompreensível mundo exterior e a ser ensinado em casa, continuando desse modo a agudização do seu isolamento. Com o auxílio do Padre Carlos, que sempre esteve presente como única ajuda e companhia dos dois desterrados, Justino consegue um emprego a entregar encomendas e tudo parece estar, finalmente, a tomar o rumo da normalidade na vida do jovem.
Justino, que sempre sofreu de uns episódios de perda de memória, conhece Sofia, que está determinada em ajudá-lo a integrar-se no mundo. Os dois chegam a encontrar alguma cumplicidade mas há algo terrível prestes a acontecer...

A história inicia-se logo com um episódio sangrento que a autora nos leva a crer, de forma muito interessante, pensarmos saber o que se passou.
Existe uma personagem, Marta, que assombra a história de Justino e desta família.
Ao longo do decurso da narrativa fui levado a pensar que já sabia tudo sobre todos os personagens e que estava defronte um enredo previsível.
Confesso que uma parte do mistério, o papel do Padre Carlos na vida da nossa eremita família, consegui cedo adivinhar o porquê do seu modo de actuação. Mas estava longe de imaginar a surpresa que Olívia Darko me tinha preparado.

No final do livro existe uma carta enviada que revela o enredo na totalidade, dá-nos a conhecer tudo o que, na realidade se estava a passar com esta família, o que sucedeu com cada um dos personagens e é neste maravilhoso e muito interessante "twist" que toda a obra atinge um nível fabuloso.

Quando pensava vir aqui dar uma traulitada na previsibilidade do enredo, a autora enfiou-me um murro nas ventas e disse: "Toma! Achavas-te muito sabichão? Embrulha e põe um lacinho porque é para oferecer!"

Adorei o final do texto. Surpreendeu-me e, na minha opinião conferiu uma aura de controlo e capacidade criativa por parte da Olívia que me faz tirar-lhe o chapéu (o que nem é muito fácil porque não uso).
O meu único lamento é o pequeno tamanho do livro.

Estou bastante ansioso que a nossa autora nos regale com mais uma obra e só lhe peço que, desta feita, escreva um "calhamaço" grandioso, sangrento e que me faça sofrer ainda mais do que este, com ou sem reviravoltas.

Olívia, podes dar-me açoites destes sempre que queiras.

Recomendo.

Boas leituras!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Segredos da Praia das Camarinhas, Clara Correia - Opinião




Sinopse:
"Em plena crise sentimental e de criatividade, um escritor instala-se, temporariamente, numa pequena vila piscatória, onde não tarda a iniciar o seu novo livro, enquanto se deixa cativar por uma bela rapariga e pela simplicidade da comunidade local. Mas, à medida que começa a desconfiar das aparências, está longe de imaginar que está prestes a viver a sua mais terrível experiência...”


Opinião:

Henrique Brancal, escritor de sucesso, está a atravessar um momento conturbado da sua existência. Após o recente divórcio e de todas as alterações na sua vida inerentes a essa circunstância, Henrique vê-se a braços com uma descomunal falta de inspiração, um, chamemos-lhe, síndrome da folha em branco, precisamente na altura em que mais precisava, já que o seu último livro, ao contrário dos restantes, não estava a ter grandes vendas.
Após um almoço com a sua ex-mulher, Sofia, mal sucedido quanto aos seus intentos de re-aproximação, e de um encontro pouco usual com um personagem que o fará repensar a sua existência, o nosso H. Brancal decide, por sugestão do amigo Daniel, mudar-se temporariamente para a Praia das Camarinhas, uma pobre aldeia piscatória de gente simples e simpática. Pelo menos parte dela...
Em pouco tempo o nosso escritor reencontra-se com a inspiração perdida mas, simultaneamente, enreda-se em segredos obscuros e de consequências potencialmente perigosas (daquelas que fazem doer, não sei se estão a ver o filme).

Este romance-thriller, assim catalogado pela própria autora, inicia-se num tom cândido, polido e elegante, numa linguagem cuidada, rica, diversificada e, sem nunca perder a tal elegância, paulatinamente somos embrenhados nos Segredos mais ou menos macabros desta Praia das Camarinhas.

Quanto mais avançava na leitura mais célere era a acção e dei por mim a devorar página atrás de página e a atropelar palavras desalmadamente porque queria saber o que estaria para acontecer.
Cheguei mesmo a sentir-me fisicamente esgotado pela leitura sôfrega que levei a cabo e acabei por dizer um certo número de palavrões por tanto gostar do livro. Assim um "prostituta que deu à luz!" ou um "estas fezes são mesmo boas, pénis!".  :)

Existiu, aqui e ali, um ou outro pormenor que não foi muito do meu agrado como umas "adivinhações" do narrador ao estilo "mal podia ele imaginar que em breve se estaria a esbardalhar todo no areal" (frase não presente na obra...). Estou certo que a ideia seria adensar a curiosidade do leitor mas como a atmosfera de suspense estava, para mim, muito bem conseguida, este tipo de revelações exerceu em mim o efeito contrário ao eventualmente desejado. São, todavia, questões de pormenor e que não influem na opinião geral que tenho sobre a enorme qualidade da obra.

Em suma, posso afirmar, adorei a leitura deste pequeno mas muito interessante romace-thriller.
Clara Correia encontra-se a elaborar o seu próximo livro e mal posso esperar pela sua publicação.
Esta senhora sabe escrever, meus amigos.
Recomendo sem reservas.

Boas leituras!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Aquisições de Março

Neste post (escrito com um sorriso de orelha a orelha) deixo-vos as publicações que por estes dias me chegaram às mãos:

Sinopse:
Justino viveu isolado do mundo os primeiros 26 anos da sua vida, tendo apenas a mãe por companhia.
Quando faz a transição para a vida em sociedade, os lapsos de memória que sempre o tinham acompanhado recomeçam, mais fortes e menos espaçados, e assaltam-no memórias de vivências que não tem a certeza de serem reais, mas que se tornam cada vez mais vívidas e perturbadoras.
A aproximação de uma mulher, Sofia, provoca um turbilhão de emoções contraditórias que o conduzem a um caminho sem retorno, e o único fim possível acaba por ser a descoberta da terrível verdade que estava enterrada no seu subconsciente.







Sinopse:
A vida corre bem a Evan Casher. Com 24 anos a sua carreira como realizador de documentários está em plena ascensão e a sua relação com a namorada Carrie não podia correr melhor. Depois de um telefonema urgente da mãe, Evan parte para Austin. Aí o inesperado acontece. Encontra a mãe brutalmente assassinada e escapa por pouco a uma tentativa de homicídio. Raptado do local do crime por um mercenário enigmático movido por razões desconhecidas, Evan vê-se confrontado com a dura realidade: toda a sua vida é uma mentira meticulosamente construída. A única esperança de sobrevivência de Evan é esconder a verdade sobre o passado da sua família…e confrontar uma organização criminosa poderosa e implacável capaz de tudo para manter os seus segredos bem enterrados. Com os assassinos da sua mãe cada vez mais perto e sem ninguém em quem confiar - nem a polícia, nem o pai, nem a namorada - embarca numa busca perigosa que o leva do Texas a Nova Orleães, Londres e Miami. Recheado de personagens inesquecíveis e de súbitas reviravoltas, Pânico é um thriller de fazer parar a respiração, sobre a determinação de um homem que quer reaver a sua vida roubada.




Sinopse:
Miles Kendrick está no Programa de Protecção de Testemunhas para se esconder da Máfia. Mas nenhum programa o protege de ser atormentado pela morte do amigo. Com a ajuda da psiquiatra Allison Vance. Miles tenta agarrar-se ao que lhe resta da sua lucidez para recordar os acontecimentos daquela noite trágica.
Depois de um ataque bombista ao seu escritório. Allison morre e Miles vê-se apanhado numa conspiração mortal que se repercute muito para além dos seus piores pesadelos. Perseguido por um ex-detective do FBI. mas apoiado por um ex-soldado e uma mulher reclusa na sua própria casa. Miles tem pela frente uma batalha para recuperar a sua vida - ou para simplesmente se manter vivo.



Sinopse:
Entre as vítimas de um atentado terrorista ocorrido durante um jogo de futebol em Londres, estão o marido e o filho da mulher que, destroçada, escreve agora uma carta a Osama bin Laden. Num tom simultaneamente emotivo, lúcido, magoado e chocantemente humorístico, ela tenta convencer Osama a abandonar a sua campanha de terror, revelando a infinita tristeza e o coração despedaçado de quem, no fundo, é apenas mais uma das suas vítimas. Mas o atentado é apenas o começo. Enquanto medidas de segurança transformam Londres num território virtualmente ocupado, a narradora também se encontra sob cerco. De início, ela recupera forças ajudando no esforço antiterrorista. Mas quando se envolve com um casal de classe alta, dá por si a ser gradualmente arrastada para uma teia psicológica de culpa, ambição e cinismo, que corrói a sua fé na sociedade que defende. E quando uma nova ameaça de bomba atira a cidade para mais uma vaga de pânico, ela vê-se forçada a actos de profundo desespero …Mas reside aí, talvez, a sua única hipótese de sobrevivência.
Um romance assombroso. O melhor romance que já se escreveu sobre o terrorismo.





Sinopse:
Pelo correio chega uma série de cartas perturbadoras que terminam com uma declaração inquietante: «Pensa num número qualquer até mil, o primeiro que te vier à cabeça... Repara agora como eu conheço bem os teus segredos.» Estranhamente, aqueles que obedecem constatam que o remetente de tais cartas previu com precisão a sua escolha. Para Dave Gurney, um inspetor de homicídios recém-reformado da Polícia de Nova Iorque e amigo de um dos alvos das missivas, o que primeiro lhe pareceu um caso estranho depressa se transforma num complicado quebra-cabeças que levará a uma investigação em grande escala na busca de um pérfido assassino em série.
Convidado como consultor pelo gabinete do procurador, em pouco tempo Gurney consegue alguns avanços na descoberta de pistas que a polícia local negligenciara. Ainda assim, diante de um adversário que parece ter o dom da clarividência e antecipar-se a todos os passos, vê os seus melhores esforços dissiparem-se como areia por entre os dedos. Terá encontrado, ao fim de vinte e cinco anos de carreira exemplar, um adversário capaz de o vencer?
Considerado pela crítica internacional uma obra-prima do suspense, Pensa num Núm3ro dá-nos a conhecer uma personagem fascinante, capaz de rivalizar com Sherlock Holmes ou Poirot.





Sinopse:
John Wayne Cleaver é um rapaz potencialmente perigoso - muito perigoso. E passou toda a sua vida a tentar não cumprir o seu potencial É bem-comportado, calado, tímido e reservado, mas incapaz de sentir empatia e de compreender as pessoas que o rodeiam. Prefere conviver com os mortos; o seu trabalho (e o seu passatempo favorito) é embalsamar cadáveres na casa mortuária que pertence à sua família. Além disso, partilha o nome com um famoso serial killer e tem uma obsessão quase incontrolável por psicopatas e assassinos em série. Sob estas circunstâncias, parece que o seu destino está traçado. Contudo, John Wayne Cleaver é plenamente consciente das suas invulgares características, e quer a todo o custo impedir-se a si mesmo de matar. Para tal, criou um conjunto de regras muito precisas: tenta cultivar apenas pensamentos positivos pelas pessoas que o rodeiam (até pelo bully do liceu), evita criar laços ou interessar-se por elas (tem apenas um amigo da sua idade) e, sobretudo, tenta a todo o custo manter-se afastado do fogo (que gosta de atear), dos animais (que gosta de dissecar) e de locais e vítimas de crimes. As suas regras vão ser postas à prova quando é encontrado um corpo terrivelmente mutilado - e depois um segundo, e um terceiro. Será que na sua pacata vila existe uma criatura ainda mais perigosa do que John Wayne Cleaver?




Sinopse:
Seis braços enterrados. Seis crianças desaparecidas. Um serial killer brilhante e monstruoso, que instiga outros a matar por si.
O criminologista Goran Gavila e a sua equipa de investigação são chamados a intervir, procurando descobrir um assassino que constantemente parece pô-los à prova.
Mila Vasquez, investigadora especializada em encontrar pessoas desaparecidas, entra em cena e junta-se à caça do homicida.
Mas cada passo que dá é, na verdade, controlado por uma mente genial e implacável. Tudo se passa como num diabólico jogo da verdade, como se o Mal trouxesse consigo uma mensagem.





Excerto:
"Em plena crise sentimental e de criatividade, um escritor instala-se, temporariamente, numa pequena vila piscatória, onde não tarda a iniciar o seu novo livro, enquanto se deixa cativar por uma bela rapariga e pela simplicidade da comunidade local. Mas, à medida que começa a desconfiar das aparências, está longe de imaginar que está prestes a viver a sua mais terrível experiência...”


Digam lá se não tenho motivos para sorrir?
E vocês o que têm recebido e o que estão a pensar ler?

Neste momento estou quase a acabar este último, Segredos da Praia das Camarinhas e está a ser supreendentemente fabuloso, interessante, bem escrito... uma maravilha!

Boas leituras. :)

terça-feira, 19 de março de 2013

Alex Cross, James Patterson - Opinião




Sinopse:

Alex Cross era uma estrela em ascensão na Polícia de Washington DC quando um desconhecido assassinou a sua mulher, Maria, à sua frente.
Anos mais tarde, Alex deixou as forças de segurança e regressou à carreira de psicólogo, revelando-se um bem-sucedido escritor de livros policiais. A vida com a sua avó, Nana Mama, e os filhos Damon, Jannie e o pequeno Alex parece correr na perfeição, e o detetive admite mesmo viver um novo amor.
É nesta fase que John Sampson, o seu antigo parceiro na Polícia, lhe pede ajuda para capturar um perigoso criminoso. Cross regressa então à ação, sem saber que se prepara para enfrentar o assassino da sua própria mulher.
Tem início a busca pelo homicida mais astuto e psicótico que jamais enfrentou, que o vai empurrar perigosamente para o ponto de rutura.


Opinião:

Alex Cross é o personagem principal do livro com o mesmo título de James Patterson. Neste policial/thriller narra-se mais uma história deste personagem que é psicólogo de formação e trabalha para a polícia na resolução de crimes violentos, muitas vezes perpetrados por assassinos em série.
Cross deixa escapar um criminoso, um assassino a soldo que soma aos seus atributos, para além da frieza e astúcia, uma maldade e psicose incomparáveis e quase inqualificáveis. Para além de homicida, Michael Sullivan é violador. Para além de matar e tirar fotos dos seus troféus, gosta de cortar as suas vítimas com um bisturi. Vivas, claro.
Maria, esposa de Alex, é alvejada à sua frente, acabando por morrer nos seus braços mas o Carniceiro não estava já no país, não sendo vislumbrável quem terá cometido o crime.
Cross inicia uma cruzada contra os criminosos que lhe vale um tremendo impulso na carreira e uma fama inigualável mas a sua vida familiar torna-se num caos, o que o leva a abandonar o FBI e a voltar a exercer a sua profissão de psicólogo.
Estão lançados os dados para uma aventura emocionante que só poderá terminar mal, com muitos corpos que ficam pelo caminho...

Gostei particularmente deste livro. Embora não tenha sido a minha leitura mais emocionante e viciante, li 379 páginas quase num dia...
Para além do suspense criado na narrativa a duas caras, uma na pessoa de Alex e a outra na do Carniceiro, são abordados diversos temas muito interessantes e que nos podem fazer reflectir.

Enquanto o homicida psicótico nos parece desumano de tão cruel, com o desenrolar do enredo ficamos a saber que este foi física, sexual e psicologicamente abusado pelo seu pai. Dei por mim a percebê-lo e, morbidamente, a simpatizar com ele. Quase desejei que escapasse impune a toda a história.
Cross, no exercício da psicologia, procura ajudar uma vítima grave de violência doméstica. Está bem presente toda a dor e terror psicológico por que esta estava a passar. Quando damos por isso descobrimos que o agressor é um polícia. A solução encontrada por Alex foi muito interessante e envolveu um espancamento...
As vítimas de Sullivan que viviam para (não) contar a história das violações levadas a cabo sob ameaça de bisturi e fotos daquelas que "tinham dado com a língua nos dentes" ficam tão aterrorizadas que nem concebem contar o que quer que seja às forças da autoridade. O seu sofrimento e os danos psicológicos irreparáveis são aflorados com interesse e propriedade.
O próprio herói, quando suspeita que foi o Carniceiro que lhe matou a mãe dos seus três filhos, toma uma opção também ela polémica, embora, para mim, compreensível:  matá-lo e não levá-lo à Justiça.
A humanidade das personagens flutua como na vida real. Nem os "maus" o são sem motivo, ou pelo menos causa, nem os "bons" são santinhos e flores de estufa.

Sou um fã incondicional deste género policial/thriller que penso ser bastante e injustamente sub-valorizado. É um tipo de escrita que permite obras verdadeiramente inesquecíveis e de qualidade épica. Toda a variedade de informação, temas e enredos, épocas, classes, tipos e riqueza de personagens, emoções, e tudo aquilo que se possa imaginar pode ser incluído neste género. Não há limite para o que se pode fazer numa obra deste tipo, com o apelativo de isto poder ser feito num livro que simultaneamente cativa, apaixona, algema o leitor desde a primeira página.

Não sendo este um caso exemplar de uma obra-prima, não tenho grandes críticas a fazer. Talvez algumas descrições pudessem ter sido melhor pintadas.
Talvez algumas personagens pudessem ter um pouco mais de profundidade.
Tudo isto, todavia, são questões de pormenor e somenos importância.

Também neste caso existem mais obras deste autor, com esta personagem principal, não todas editadas em português. Não voltarei a massacrar as editoras, e sobretudo os meus leitores (porque com estes preocupo-me), com o meu ponto de vista sobre a ordem da edição dos livros.

Um bom livro que se lê de um fôlego. Recomendo.

Boas leituras.

sábado, 16 de março de 2013

Se os mortos não ressuscitam, Philip Kerr - Opinião




Sinopse:

Berlim, 1934. Os nazis garantiram a realização dos Jogos Olímpicos de 1936, mas enfrentam grande resistência estrangeira. Hitler e Avery Brundage, o presidente do Comité Olímpico dos Estados Unidos, tudo fazem para tentar encobrir o antissemitismo nazi e assim convencer a América a participar nos Jogos. Bernie Gunther, agora detetive num dos hotéis mais conceituados de Berlim, vê-se arrastado para este mundo de corrupção internacional, enredado entre as várias fações do aparelho nazi.

Havana, 1954. Fulgencio Batista, apoiado pela CIA, acabou de subir ao poder. Fidel Castro foi preso e a Máfia americana ganha poder sobre a indústria do jogo e da prostituição. Bernie, recentemente expulso de Buenos Aires, reemerge em Cuba com uma nova identidade, decidido a levar uma vida de relativa paz. No entanto, quando se depara com duas figuras do passado - um pérfido assassino dos tempos de Berlim, que pouco depois é misteriosamente assassinado, e uma antiga amante que, ao que tudo indica, poderá ser a responsável pelo crime -, percebe que não tem como lhe fugir.


Opinião:

Esta narrativa decorre em dois períodos conturbados da história recente.
Em 1934 acompanhamos Bernie Gunther enquanto ele se enreda numa trama de corrupção ao mais alto nível que poderá mostrar-se muito perigosa para a sua própria saúde... A prossecução do objectivo de realizar com êxito os Jogos Olímpicos de 1936 dá azo a que toda uma espécie de criminosos inunde Berlim e se movimente ao mais alto nível.
Bernie conhece a bela Noreen Charalambides, uma morte ocorre no Hotel Adlon. Estão lançados os dados para o início de mais uma aventura do nosso ex-polícia alemão.

Em 1954 vamos à Cuba de Fulgêncio Batista - Fidel está preso - encontrar Gunther passados 20 anos onde irá re-encontrar alguns personagens conhecidos e, claro está, meter-se em sarilhos...
Não posso revelar muito sobre esta parte da história porque ocorre no final do livro e, como tal, é decisiva para a conclusão da obra.


Com a Alemanha e, sobretudo, o nazismo como pano de fundo, é interessante conhecer até que ponto retorcido e doentio os nacionais socialistas esmagavam toda a sociedade e procuravam erigir uma nova, que fosse mais de acordo com a sua ideologia. À semelhança do que senti no livro de Roth, é, para mim, aterrador verificar a facilidade com que as massas aderem a movimentos inqualificáveis sem que lhes façam o mínimo, e devido, escrutínio. Torna-se particularmente assustador porque também nos dias que correm existe uma descrença generalizada nos governantes nacionais e no projecto europeu, há uma sensação de falta de rumo e timoneiro. Com estas condições, não poucas vezes na História, surgiram os salvadores da pátria do tipo versado neste livro.

Fazendo uma apreciação global devo dizer que gostei deste Se os mortos não ressuscitam. É uma leitura agradável embora não seja daquelas de tirar fôlego e sono. Kerr consegue pintar um quadro de época muito interessante e detalhado numa narrativa que apela à leitura e, uma vez mais, me convenceu.

Todavia... (a partir deste ponto inicia-se a pancadaria às editoras e quem não estiver pelos ajustes pode, neste ponto, sem prejuízo da opinião, livro e autor, ir regar as plantas e retirar as folhas secas)


Este livro de Philip Kerr pertence a um conjunto de livros com a mesma personagem principal. Já havia lido Projecto Janus, outro que tal, e também gostei. Em português só existem estes dois títulos, o que é uma pena, mas em inglês podem-se contar oito livros desta "série". Como um exemplo posso mencionar  "Field Grey" que é precisamente o livro que prossegue a história de Gunther a partir do ponto em que neste que vos falo ficou, embora já haja mais um após esse.
Para quem, como eu, gosta de seguir a ordem da publicação dos livros para poder acompanhar lógica e cronologicamente o trabalho de um autor, e ainda mais nestes casos em que existe um personagem comum em diversos livros, confesso que lamento imenso o critério escolhido pelas editoras quanto à sua publicação.  É que parece não existir qualquer critério.
Neste caso que vos revelo os dois livros editados em português são o QUARTO e o SEXTO. Desculpem lá... Começam a coisa a meio e e nem sequer seguem a partir daí? Esperem... A seguir publicam o terceiro, vamos ao oitavo, passamos pelo segundo e pelo sétimo, encontramos o quinto e, se calhar, terminamos no primeiro... Será isso?
Ou então nem sequer se dão ao trabalho de continuar e quando o Kerr morrer, à boa maneira portuguesa, atribuem-lhe uma menção honrosa póstuma e publicam todos os seus livros de enfiada.
Para isto, excelsos, mas valia não se darem ao trabalho.

Boas leituras...




sábado, 9 de março de 2013

A Trama da Estrela, Vasco Ricardo - Opinião





Sinopse:

"Enquanto uma negra conspiração se vai expandindo por algumas cidades europeias, três adolescentes divertem-se, navegando pela Internet, tentando decifrar mistérios e crimes até então irresolúveis.
Dana, Mark e Rohan são provenientes de nações distintas mas os seus interesses e suas motivações convergem. À medida que uma onda de crimes vai assolando o território do velho continente, os jovens vão interagindo através das comuns salas de chat, falando sobre um infindável número de temas.
O percurso das suas vidas toma, porém, um rumo diferente, acompanhado de estranhos acontecimentos que podem mudar os seus destinos.
Paralelamente, uma sociedade secreta, cujos elementos parecem tão competentes quanto obstinados, move-se de forma obscura e sanguinária, onde todos os seus passos são criteriosamente preparados, na tentativa de alcançar um marco até então inatingível."


Opinião:

A Trama da Estrela, primeiro livro de Vasco Ricardo, versa sobre uma conspiração que toma lugar em diversos países europeus perpetrada por um grupo organizado e violento que deseja transformar o mundo à luz do seu ideal.
Na narrativa vamos, por um lado, acompanhando o desenvolvimento desta Trama. Vemos decorrer a interacção entre cada membro do grupo ENDIVADAL, chefiados pelo Sr. Branco, que, à distância, dá todos os pormenores para que em cada cidade europeia um par dos seus associados coloque em prática um plano bem urdido de acção terrorista. Acompanhamos cada atentado através dos olhos de quem os executa e sentimos o gosto mórbido que cada um sente em tirar a vida do próximo, com o intuito de estabelecer a tal sociedade nova, chamemos-lhe assim.
No outro lado da narrativa, alternando com os episódios de atentados, são-nos apresentados três jovens, de três diferentes nacionalidades que interagem numa sala de chat dedicada a conspirações. À medida que as notícias do que vai ocorrendo pela Europa saem, os jovens questionam-se sobre as mesmas e tentam encontrar um denominador comum entre todas elas, à medida que se aproximam cada vez mais na sua amizade, acabando por se encontrarem todos em solo alemão para o desfecho do enredo.

A minha apreciação a este livro divide-se em duas vertentes, ambas muito marcantes e indissociáveis.

A primeira, no plano da idealização e concepção do enredo, o trabalho do autor está bem feito. A história é apelativa  e o autor tem uma boa capacidade para contá-la de forma interessante e que não afugenta o leitor.
Acredito que, desde o autor queira e saiba limar algumas arestas pode vir a ter bastante êxito. Na minha óptica, desde que procure melhorar e evoluir, deve perseguir este tipo de livros de suspense ou thriller's que são do agrado do público em geral e meu em particular.

A segunda vertente tem a ver com as tais arestas rugosas que, no meu parecer, obstam a que este livro tenha qualidade.
Existe, ao longo de toda a obra, um traço de falta de credibilidade e inverosimilhança que a marca negativamente.

Não gostei da caracterização das personagens. Começa logo pela atribuição dos seus nomes, - no caso dos membros da ENDIVADAL - para mim pouco credível e infantil, mormente no ambiente sério e quase militar que se pretende criar.
As personagens são superficiais,  inconstantes, ocas e tomam atitudes contrastantes com a matriz que se começa por criar. Isto acontece maioritariamente nos membros da associação terrorista mas também nos jovens, onde, à partida, até seria mais compreensível não manter um fio condutor de personalidade.

Existem inúmeros episódios onde fiquei com aquela cara "WTF?!" por falas e atitudes que não percebi de onde vieram. Por exemplo, no início da narrativa existe uma aura de profissionalismo muito forte nos meliantes que se vai perdendo, culminando com o episódio dos "walkie-talkies" onde encontramos diálogos completamente risíveis de tão fracos e desadequados que são...

O enredo em si, embora com algum interesse, é demasiado previsível e sem substância. À página 56 já tinha adivinhado, embora sem certezas e na esperança de que estivesse enganado, quem estava por detrás da trama e quais os seus motivos.

A convergência das duas narrativas é básica. É demasiado forçado a forma como tudo acaba.

Uma das personagens leva dois tiros na rótula e passado seis dias, no hospital, rouba,ela mesma, uma farda de enfermeira para fazer sexo. Esta personagem, adolescente, internada depois de alvejada e sobreviver a uma acção terrorista, só passado 11 dias recebe a visita de sua mãe, que a deixou, durante este período, abandonada para fazer sexo com um alemão que não conhecia de lado nenhum a milhares de quilómetros de sua casa...

E depois... os erros. Um banho deles.
Os enganos nas expressões, as gralhas, os erros gramaticais são inúmeros e aterradores. Não adianta ter uma boa capacidade para imaginar e contar histórias quando há tantas imprecisões e se dá tanto pontapé na gramática.

Ao longo de todo o livro, na mesma frase e pela mesma personagem, alterna-se de forma errática entre o "vós fazeis" e o "vocês dizem", entre o "vós ides" e o "vocês voltaram".

Não é compreensível que a editora publicite ter feito uma revisão ao livro e "coisas" deste tipo passarem despercebidas:

"(...) talvez os países que fabricam tais armas elaboraram  este plano para que pessoas como tu acreditem nessa teoria (...)";

"mobilização" em vez de mobilidade;
" tarde de mais" em vez de tarde demais;
"leis relativas aos emigrantes" no lugar de imigrantes;
"há muitos anos atrás";
"o colega sentou-se no acento" por troca com assento;
"racionar" em vez de raciocinar;
"andar a bater portas" em vez de bater às portas.

E por aí fora. Não me apetece transcrever o livro todo e penso que todos percebem o ponto de vista.

Em resumo, a ideia era boa e a má execução não impede o interesse em acompanhar a história mas tudo demasiado "verdinho", simples e incoerente.
Tive, apesar de tudo, prazer na leitura e, repito, se o autor trabalhar os aspectos negativos, que são muitos, certamente terá muito sucesso à sua espera.

Boas leituras a todos.

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Conspiração Contra a América, Philip Roth - Opinião




Sinopse:


"Um presidente anti-semita na Casa Branca?
Quando o famoso herói da aviação e isolacionista Fanático Charles Lindbergh derrotou esmagadoramente Franklin Roosevelt nas eleições presidências de 1940, o medo invadiu todos os lares judaicos da América. Num discurso transmitido pela rádio à escala nacional, Lindbergh não só tinha acusado publicamente os judeus de empurrarem egoistamente a América para uma guerra sem sentido com a Alemanha nasi, mas também, ao tomar posse como trigésimo terceiro presidente dos Estados Unidos, negociara um pacto cordial com Adolfo Hitler, cuja a conquista da Europa e cuja virulenta política anti- semita ele parecia aceitar sem dificuldade."


Opinião:

A Conspiração Contra a América parte de uma premissa muito interessante por parte de Philip Roth.  O que aconteceria nos E.U.A. se, no decorrer do período da 2ª Guerra, um líder pró-nazi, que bebesse da mesma ideologia fascista e anti-semita que Hitler era arauto, fosse Presidente?
Como poderíamos imaginar, o escritor faz, nesta obra, um exercício de escrita, imaginação e até de, chamemos-lhe, memória "virtual" muito bem conseguido.

Sanford (Sandy) e Philip, filhos de Herman e Bess Roth. É através dos olhos de Philip, o mais jovem deste núcleo familiar, que, com os restantes parentes e Judeus nascidos nos E.U.A., residentes em Newark veremos desenvolver todo o evoluir de um ponto de partida histórico, para um desenvolvimento imaginado muito rico, desaguando novamente na realidade histórica e, desse modo, fechando o círculo e terminando o livro.

Charles A.Lindbergh, o "inocente" pacifista que pretende evitar a intervenção dos E.U.A. numa guerra mundial, vence a corrida presidencial contra o "belicista" Franklin Delano Roosevelt e, paulatinamente, o caos vai-se instalando na América...

Gostei particularmente deste ensaio de Roth sobre o que poderia ter ocorrido num cenário em que os Estados Unidos estivessem do lado contrário no jogo de forças intervenientes no conflito. Foi muito interessante acompanhar a forma como Lindbergh é eleito, como tão facilmente ilude e controla as massas insuspeitas e crédulas. Acompanhar todo o jogo político e a táctica tão prosaica que leva este homem ao comando dos destinos de uma das mais poderosas nações do planeta chega a ser aterrador.

Foi muito apelativo ler, na bela escrita do autor, a perspectiva desta família, com os problemas naturais de qualquer outra - como a crescente descrença dos filhos adolescentes nos seus pais - adicionados aos dos restantes Judeus que se viram a braços com algo sobejamente conhecido na Europa - o anti-semitismo nazi - mas desta feita em solo americano, perpetrado por americanos e com o apoio de muitos Judeus ao "programa" convencidos que estavam a trabalhar para ajudar os seus, quando na verdade estavam a ser fantoches nas mãos do titereiro que os conduzia a uma pretendida aniquilação.

É evidente que o interesse que esta obra suscita reside na premissa que lhe está subjacente, no viver uma situação hipotética através dos olhos daqueles que mais teriam sofrido com a mesma. À luz desse prisma é uma leitura agradável e saborosa. Não podemos, todavia, estar à espera de encontrar uma leitura voraz e avassaladora que nos suga para o enredo e faz esquecer das horas. O desígnio não é esse, certamente.

No geral adorei o livro e a História que podia, muito bem, ter ocorrido, embora não fosse do meu agrado que esta terminasse de forma tão célere e linear. No último quinto do livro Roth acaba com todo o exercício, reenquadrando-o na perspectiva histórica factual que conhecemos. Fiquei com a sensação que foi um final um pouco apressado, pouco imaginativo e demasiado fechado, convencional.

Trata-se, porém, de um excelente livro que recomendo sem grandes reservas.

Boas leituras a todos!