domingo, 26 de maio de 2013

O Ano Sabático, João Tordo - Opinião


Opinião:

Hugo é um músico português que vive no Canadá. Aprendeu música com Édouard - que se tornaria seu amigo e companheiro de actuação - e, com o dinheiro que não tinha, adquiriu um contrabaixo antigo, restaurado por Catherine. O instrumento era por Hugo chamado de Nutella, inspirado pela similaridade que a sua cor tinha com o creme de chocolate.
A existência nunca foi fácil para Hugo, nem no Canadá nem em lado algum. Cheio de dívidas, com problemas de alcoolismo e drogas - o declínio físico e psicológico em grande escala - o nosso músico resolve voltar a Portugal com o intuito de fazer um ano sabático. O seu desígnio era livrar-se do problema do alcoolismo, re-estruturar a existência, adquirir as energias que tanto lhe faltavam para viver, quanto mais para tocar,  visitar a sua família - em especial a sua irmã gémea e o seu sobrinho Mateus - e terminar a composição de uma melodia em Dó Sustenido na qual trabalhava há algum tempo sem conseguir encontrar aquela nota que fizesse sentido e desbloqueasse a progressão da obra.

Quando mudamos de morada não deixamos os problemas à porta. Estes, por sua vez, habitam-nos e vão connosco para todo o lado.

Num encontro com uma mulher promovido pela sua irmã, - um típico blind date - Hugo vai com Elsa a um concerto de Luis Stockman - um pianista brilhante em rápida ascensão. A música era agradável e a reacção de toda a assistência apoteótica. No calor do momento Stockman parte para a improvisação e toca uma melodia que ninguém reconhecia. Uma agradável melodia em Dó Sustenido. A composição em que Hugo estava a trabalhar. A composição que só existia na sua cabeça.

Como seria possível que Stockman lhe tivesse roubado a melodia se ninguém a conhecia e não estava escrita em lado algum?
Pior do que isso. Seria admissível que duas pessoas que nunca se conheceram compusessem a mesma música?
E porque é que alguns diziam que Hugo e Stockman pareciam irmãos? Gémeos?

Será este o ponto de ruptura que precipitará todos os restantes acontecimentos.

Na minha opinião, ao contrário do que alguns defendem, este não é um livro sobre música. Esta faz parte da história e serve-lhe de suporte, ou justificação, mas não é sobre música.

O Ano Sabático versa sobra a existência de dois homens. O que a condiciona e motiva. É, no fundo, um romance sobre a nossa própria individualidade e se será tão inerentemente individual e exclusiva como poderíamos, à partida, pensar.

Hugo encontra em Stockman o espelho do que poderia ser. Mais do que isso, revê nele uma parte que lhe falta a si mesmo. Como dois círculos que se tocam, ou talvez seja melhor pensar apenas num, que se complementa com a descoberta do traço que lhe falta.
Uma individualidade partilhada? Um paradoxo?

Gostaria de adiantar algo mais sobre este aspecto mas fazê-lo seria estragar a futura leitura daqueles que possam estar interessados.

Esta primeira experiência com João Tordo, que acontece porque a minha esposa me ofereceu este livro, foi absolutamente positiva. Encontrei na escrita deste autor um "não sei quê" de Vergílio Ferreira que me agradou imenso.
Tordo é um narrador competente e um escrevedor assinalável.

A páginas tantas - foi na pág.163 - pode ler-se o seguinte:
"É este o desafio do escritor, parece-me: encontrar a verdade de um determinado ponto de vista."

Se este é o desafio do autor talvez me atreva a assinalar que o desafio do leitor poderá ser o de reconhecer a verdade desse ponto de vista enquandrando-a o melhor que lhe for possível.

Encontrei a verdade das palavras de Tordo.

Gostei imenso deste livro.

Boas leituras.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Aquisições de Maio

Para gáudio de todos, aqui vos deixo as aquisições efectuadas neste mês de Maio:



Sinopse:
"Para a Polícia, a morte violenta de um sem-abrigo cuja identidade é quase impossível de determinar não é uma ocorrência a que se possa dedicar muito tempo. Mas a situação altera-se na manhã seguinte: aparecem mortos, da mesma maneira, mais dois sem-abrigo na Baixa de Lisboa. E, dois dias depois, são três os sem-abrigo atacados. O serial killer começa, porém, a deixar pistas - e estas apontam para um culto satânico, mas também para a maçonaria. Com o medo a instalar-se em Lisboa, onde o assassino vai multiplicando os seus actos de violência, e enquanto Joel Franco começa a descobrir as origens desta vaga de crimes, o presidente da Câmara de Lisboa e um seu discreto aliado na própria PJ percebem quem é o autor das mortes: o homem que quiseram transformar em bode expiatório quando começou a correr mal o comércio ilícito de terrenos na zona do projectado aeroporto da Ota. No qual pontificara o presidente da Câmara quando ainda era ministro do Ambiente… E em breve vão estar frente a frente dois homens que, à sua maneira, procuram justiça: o assassino propriamente dito e Joel Franco, que tenta vingar a morte de um amigo de infância em cada homicida que persegue. É bem provável que ambos desafiem a antiquíssima norma que regula a sociedade humana: «Não matarás.»"



Sinopse:
Estava à tua procura. Encontrei-te.
És a pessoa certa...
Agora, mata!
"Marcus é um homem sem passado. A sua especialidade: analisar as cenas de crime para reconhecer o Mal nos pequenos detalhes e solucionar homicídios aparentemente perfeitos. Há um ano, foi gravemente ferido e perdeu a memória. Hoje, é o único que poderá salvar uma jovem desaparecida.
Este peculiar investigador enfrenta, porém, um desafio ainda maior: alguém está a usar o arquivo criminal da Igreja para revelar a verdade sobre crimes nunca oficialmente resolvidos. Assassinos são colocados perante os familiares das vítimas. Será, passado tanto tempo, saciado o desejo de vingança? Passarão os inocentes a culpados? Ou será, finalmente, feita justiça?"




Sinopse:
"Erik Maria Bark é o mais famoso hipnotista da Suécia. Acusado de falta de ética, e com o casamento à beira do colapso, jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose nos seus pacientes e há dez anos que se mantém fiel à sua promessa. Até agora.
Estocolmo. Uma família é brutalmente assassinada e a única testemunha está internada no hospital em estado de choque; Josef Ek, de apenas 15 anos, presenciou o massacre dos seus pais e irmã mais nova, sendo ele próprio encontrado numa poça de sangue, vivo por milagre.
Nessa mesma noite, Erik Maria Bark recebe um telefonema do comissário Joona Linna solicitando os seus serviços - urge descobrir a identidade do assassino e para tal Josef deverá ser hipnotizado. Erik aceita a missão com relutância, longe de imaginar que o que vai encontrar pela frente é um pesadelo capaz de ultrapassar os seus piores receios.
Dias mais tarde, o seu filho de 15 anos, Benjamin, é sequestrado da própria casa. Haverá uma ligação entre estes dois casos? Para salvar a vida de Benjamin, o hipnotista deverá enfrentar os fantasmas do seu passado e mergulhar nas mentes mais sombrias e perversas que jamais poderia imaginar; o que tinha por difuso revela-se abominável, o que tinha por suspeito surge como demoníaco. Para Erik, a contagem regressiva já começou…"




Sinopse:
"Uma mulher aparece misteriosamente morta numa embarcação de recreio ao largo do arquipélago de Estocolmo. O seu corpo está seco, mas a autópsia revela que os pulmões estão cheios de água. No dia seguinte, Carl Palmcrona, director-geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa da Suécia, é encontrado enforcado em casa. O corpo parece flutuar ao som de uma enigmática música de violino que ecoa por todo o apartamento.
Chamado ao local, o comissário da polícia Joona Lina sabe que na sua profissão não se pode deixar enganar pelas aparências e que um presumível suicídio não é razão suficiente para fechar o caso. Haverá possibilidade de estes dois casos estarem relacionados? O que poderia unir duas pessoas que aparentemente não se conheciam?
Longe de imaginar o que está por detrás destas mortes, Joona Lina mergulhará numa investigação que o conduzirá, através de uma vertiginosa sucessão de acontecimentos, a uma descoberta diabólica. Existem pactos que nem mesmo a morte pode quebrar..."




Sinopse:
"É sem dificuldade que o autor se move por entre os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, na frente oriental, e na actual cidade de Oslo, arquitectando uma complexa história de assassinato, vingança e traição. O inspector Harry Hole, um alcoólico em recuperação e recentemente transferido para o Serviço de Segurança Pública norueguês, fica de vigiar Sverre Olsen, um neonazi corrupto que escapou à condenação devido a um pormenor técnico. Mas o que começa por ser uma missão com o intuito de colocar Olsen atrás das grades, rapidamente passa a ser uma corrida contra o tempo para impedir um assassinato. À medida que Hole se esforça para permanecer um passo à frente de Olsen e do seu gang de skinheads, Nesbø leva o leitor de volta à Segunda Guerra Mundial, onde os noruegueses que lutam a favor de Hitler tentam equilibrar uma guerra destinada à derrota na frente oriental. Quando as duas linhas de acção finalmente colidem, cabe a Hole travar um homem decidido a levar a cabo a execução de um plano letal elaborado há meio século nas trincheiras de Leninegrado."



Sinopse:
"Roger Brown é um vilão sedutor, um homem que parece ter tudo: é o caçador de cabeças mais bem-sucedido da Noruega - procura e seleciona altos quadros para as maiores empresas -, casado com uma elegante galerista e proprietário de uma casa luxuosa. Mas, por detrás desta fachada de sucesso, Roger Brown gasta mais do que pode e dedica-se ao perigoso jogo do roubo de obras de arte.
Na inauguração de uma galeria, a mulher, Diana, apresenta-o ao holandês Clas Greve e Roger percebe imediatamente que não pode deixar escapar aquela oportunidade. Clas Greve não é apenas o candidato perfeito ao cargo de diretor-geral que ele tem de recrutar para a empresa Pathfinder, como ainda tem em seu poder o famoso quadro de Rubens, A Caça ao Javali de Caledónia. Roger identifica aqui a possibilidade de se tornar financeiramente independente e começa a planear o seu maior golpe de sempre. Mas depressa se vê em apuros - e desta vez não são financeiros.
Em Caçadores de Cabeças, Jo Nesbo envolve-nos numa conspiração explosiva nos meandros da elite industrial e financeira, que culmina no submundo de assassinos contratados e vigaristas. Uma sucessão de homicídios surpreendentes, perseguições e fugas espetaculares, capazes de prender até à última página o mais exigente dos leitores."

Para Junho há mais...


Já conhecem estas obras?
O que têm adquirido?
Boas leituras a todos.

domingo, 19 de maio de 2013

A Noiva Assassina, James Patterson, Howard Roughan - Opinião


Opinião:

Nora Sinclair tem o dom de acumular fortuna na mesma proporção que colecciona companheiros "acidentalmente falecidos". Todos eles ricos.
Quando Nora descobre as palavras-passe que lhe permitem transferir grandes quantidades de dinheiro das contas dos seus companheiros para a sua própria, estes não tardam a padecer de mortais insuficiências cardíacas.
John O'Hara, agente do FBI, em pouco tempo se vê a braços com Nora e estas enigmáticas mortes.

Partindo destas premissas regadas com suspense, bom-humor, luxúria e alguma loucura encontramos um livro bastante agradável e de leitura rápida. A acção desenrola-se a bom ritmo dividida por capítulos pequenos e intensos, como Patterson nos tem habituado, que permitem que os nossos olhos voem pelas palavras em muito pouco tempo.

Tudo isto, e algo mais, num livro escrito a duas mãos.

Inicialmente fiz uma nota onde se podia ler que a leitura podia ser avaliada em dois planos. O primeiro prendia-se com o interesse que os autores souberam imprimir à narrativa. O segundo plano, um pouco menos positivo, estava ligado a uma crescente falta de credibilidade no que aos crimes e, sobretudo, a sua falta de atenção por parte da polícia dizia respeito.
Com agrado verifiquei que não tardou que o FBI se envolvesse na investigação das mortes que Nora atraía.

Manifestado, finalmente, o conhecimento e interesse por parte das autoridades das circunstâncias que tornavam esta mulher numa Viúva Negra, a componente menos positiva da minha opinião deixou de ter razão de ser, podendo eu apreciar o desenrolar do enredo até a um desenlace mais ou menos previsível mas nem por isso menos apelativo.

Não é, seguramente, do melhor que tenho tido o privilégio de este ano ter lido, todavia, posso dizer que estamos perante um policial comercial agradável, com muitos motivos de interesse, num registo leve e "limpinho".
Após a sua leitura ficou-me a ideia de se tratar de um óptimo livro para se ler numas férias.

Boas leituras a todos.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Não Abras os Olhos, John Verdon - Opinião


Opinião:

Em Não Abras os Olhos, Verdon leva-nos a revisitar Dave Gurney em mais um caso pleno de pormenores intrincados, complexos e, tal como em Pensa num Número, aparentemente impossíveis.

Neste livro voltamos a entrar no cerne da investigação criminal através do olhar do mais famoso criminalista de Nova Iorque - que continua na condição de aposentado.
A aceitação por parte de Dave de resolver, na condição de consultor, mais um insólito homicídio vale-lhe (mais) uma tensa situação com a esposa, Madeleine, que não vê com bons olhos esta aposentação tão pouco efectiva.

No segundo livro de Verdon, Scott Ashton, vê a noiva assassinada na sua festa de casamento. A preciosa cabeça  de Jillian é cortada e deixada em cima de uma mesa voltada para o tronco ao qual minutos antes estivera ligada. Da casa do desaparecido Hector Flores os cães detectam um rasto que os leva no seu encalço até uma faca semi-enterrada e ensanguentada, onde tal rasto misteriosamente termina, deixando caninos e humanos perplexos sem saber que direcção tomar e como é possível que alguém pura e simplesmente evapore.

A partir deste ponto estão lançados os dados para uma fantástica perseguição onde muito pouco é o que aparenta ser e em que a vida de Dave Gurney e Madeleine parecem estar ameaçadas.

Dado que havia lido o primeiro volume publicado de John Verdon é incontornável fazer comparações, até porque esse primeiro contacto com o registo deste autor me deixou maravilhado e até com algum receio de que Verdon pudesse não ter mestria de surpreender após uma obra de estreia tão auspiciosa como Pensa num Número.


Tecendo uma consideração global à obra, até porque alongar-me numa opinião casuística ou demasiado específica obrigar-me-ia a revelar partes fundamentais do enredo que, a bem do interesse de futuros leitores,  deverão permanecer desconhecidos, posso afirmar que gostei bastante deste Não Abras os Olhos.


Caindo na tal eventual armadilha da comparação não me sinto desiludido com este livro... mas gostei mais do primeiro. Atribuo 4* a ambos, o que indicia que a diferença de simpatia não é substancial, todavia, não me senti  devidamente surpreendido e sustentava essa expectativa.

Tendo gostado bastante das duas obras, permanece em mim a sensação de que neste segundo volume as ocorrências relativas aos crimes e respectiva investigação serão menos credíveis do que havia encontrado no  primeiro. Não detecto o mal de chegarem a ser forçadas, notem, contudo, como referi, essa sensação ficou-me.

Descontando muito facilmente esta e outras questões de pormenor, não desconsidero este livro nem o seu autor e confesso-me bastante ansioso por poder reencontrar Verdon, Gurney e Madeleine numa futura edição portuguesa - que deste modo peço execução de forma veemente -  de Let the Devil Sleep, o terceiro livro do autor.

Boas leituras a todos.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Senhor Monstro e Não Te Quero Matar, Dan Wells - Opinião



Opinião:

Ontem terminei Senhor Monstro. Hoje estou com gripe, tenho febre, não fui capaz de estar no emprego e o que melhor para quem está doente fazer do que estar no sofá a ler? Pois, também não me lembro de muito mais coisas e aquelas de que me lembro não são muito aconselháveis para quem está com febre e sem força. Adiante.

Por tudo isto, comecei a ler Não Te Quero Matar... e já acabei. Lucky me.

Em Senhor Monstro voltamo-nos a encontrar com John Wayne Cleaver, o adolescente sociopata que procura matar demónios na tentativa de saciar o assassino em série que tem dentro de si. Mais vale dar cabo de uns seres sobrenaturais do que torturar e matar os seus familiares e conhecidos, não é? O Wells acha que sim, e quem sou, ainda para mais com a juízo alterado e pirético, para questionar o desígnio do autor?

Assim sendo uma nova vaga de mortes surge no Condado de Clayton e o nosso teenager parte para mais uma investigação com objectivo de descobrir e travar o demónio à solta (leia-se dar-lhe cabo do canastro).

Neste volume da trilogia, mais uma vez, o enredo centra-se muito na luta interna que decorre em John, no seu anseio por violência e na sua busca por reprimir esses desejos mais obscuros, embora intensos e que lhe dariam muito prazer.

Na minha opinião, e é disso que se trata, penso que depois de um primeiro volume em que Dan Wells caracteriza muito bem este jovem perturbado, não havia necessidade de fazê-lo de uma forma tão profunda e repetitiva nesta obra. A maior parte do enredo é sobre esta guerra que John trava consigo próprio, tendo eu por vezes ficado com a sensação de que o resto da história acaba por permanecer em segundo plano.

Lá mais para o final do livro as coisas aquecem um bocadinho mas confesso que dos três livros este foi aquele que menos gostei.

O que nos traz a Não Te Quero Matar.

Neste terceiro e, até ao momento, último livro da série, John Cleaver, que no livro anterior havia ligado a um demónio e lhe anunciou que o haveria de matar, defronta-se com mais um conjunto de assassinatos na sua vila. Cedo Cleaver percebe que o demónio que havia espicaçado aí estava para o apanhar.

A contagem de corpos vai aumentando à medida que o número de conhecidos e amigos de John vai diminuindo drasticamente.

Este é, em meu entender, o melhor dos três volumes. Wells não insiste tanto em bater no ceguinho e embora  a luta interior do nosso herói/sociopata esteja bem presente no enredo, a sua exploração parece-me muito melhor gerida.

O enredo está mais rico, existe mais emoção e suspense, o autor procura dedicar-se mais ao propriamente dito do que passar o tempo todo a explicar o que já todos havíamos percebido e o leitor só ganha com isso.

John Cleaver parece mais despachado e menos "morcão" e toda a obra está repleta de relações humanas, suspense, acção, violência, morte, perda, sofrimento, vingança mas também amor e amizade.

Existem aqui e ali umas facilidades ou inocências nas acções narradas que não seriam, de todo, desejáveis mas o interesse que Wells consegue impregnar nesta história, com umas belas reviravoltas e suspense fazem rapidamente esquecer essa mão cheia de linhas.

Estamos perante um excelente livro e, como havia já referido, de longe, o melhor dos três.

Boas leituras.

sábado, 4 de maio de 2013

Sopro do Mal, Donato Carrisi - Opinião



Opinião:

Os braços esquerdos de seis crianças que haviam sido raptadas aparecem enterrados num bosque. O membro da sexta "revela" um dado importante: de todas elas é a única que ainda está viva, encontrando-se à mercê de um serial killer.

A equipa do criminalista Goran Gavila irá contar com a ajuda preciosa de Mila Vasquez, cuja especialidade é encontrar crianças desaparecidas.
Os corpos das meninas assassinadas vão aparecendo, um por um, nos locais mais inusitados e sempre em locais que denunciam outros doentes, assassinos, pedófilos.

Esta é a base para se desencadear uma busca incessante e uma caça ao monstro sem igual. Estamos perante um livro extraordinário. Desde a construção e caracterização das personagens, passando pela riqueza, sustentação e imprevisibilidade do enredo, terminando na certeira e interessante escrita do autor.

A informação sobre assassinos em série, a sua caracterização e "desconstrução", a investigação policial, as técnicas forenses, as reviravoltas daquelas mesmo boas... está tudo lá, na minha opinião, na proporção correcta.

A única crítica que poderia apontar é uma certa "ingenuidade" das forças da autoridade no princípio do livro mas essa circunstância até poderia ser propositada com o intuito de causar algum "stress" no leitor que ia logo percebendo o que os polícias tardavam em descobrir.

Uma vez mais deparo-me com uma obra de estreia de uma qualidade e interesse ímpares. Confesso que tenho até algum receio de que o as próximas obras deste autor não lhe consigam fazer jus.

Desejo adquirir o outro livro de Donato Carrisi editado em Português - O Tribunal das Almas - mas será possível fazer melhor?
Mal posso esperar para ver.

Este livro é, até ao momento, o policial/thriller que mais gostei de ler este ano.

Boas leituras.