segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A ler: Ossos, Stephen Booth



"O cenário sombrio e nubloso da Cornualha serve de palco a esta trama onde estranhos crimes deixam apenas um rasto de ossos… No interior do Dark Peak, esconde-se a pequena aldeia de Withens, onde a tranquilidade é apenas aparente.
Aos poucos, aquele lugar será perturbado por roubos, vandalismo e estranhos desaparecimentos, onde o crime é apenas a face visível de segredos bem escondidos.
Um jovem é espancado até à morte, abandonado no alto das charnecas à mercê dos corvos. Será a primeira vítima…
É então que chegam à aldeia os detectives Ben Cooper e Diane Fry a quem cabe descobrir a semente do mal. Inicia-se, assim, a caça ao homem. Mas, Withens, encerra muitos mistérios e mais violência se adivinha, à medida que o seu passado estende uma sombra negra sobre o presente…
Chega finalmente a Portugal a primeira obra de Stephen Booth, figura de referência do romance policial britânico.
Natural de Lancashire, manteve-se ligado aos Peninos durante a sua carreira como jornalista.
Os seus interesses incidem sobre o folclore da região, a Internet e as caminhadas pelas colinas do Peak District, cenário dos seus romances."

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo, Haruki Murakami - Opinião




Haruki Murakami é um criador de mundos. Toma um universo exactamente igual ao que todos vivemos e acrescenta-lhe um ou outro elemento estranho, disfuncional ou impossível. Nesse plano existencial alternativo dá abrigo à vida de pessoas iguais a tantas outras. Iguais a mim ou a quem me lê. Explora os sentimentos, pensamentos e reacções que qualquer pessoa tem mas motivados por circunstâncias extraordinárias.

A escrita de Murakami - e a bela tradução que desde sempre o tem acompanhado - transporta-me para esse mundo em quase tudo igual ao meu e faz-me viver tudo o que os personagens, em tudo iguais a mim, vivenciam de forma intensa e, na maioria das vezes, trágica.

Uma obra deste autor, fazendo fé nas várias que li, nunca tem um final definitivo, fechado. As suas palavras deixam-me num estado de dormência introspectiva que dura bastante para além do final dos seus livros.

O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo relata duas histórias aparentemente paralelas que nunca chegam a unir-se porque verdadeiramente nunca estiveram separadas, nunca foram duas.

Como em vários, se não todos, dos seus escritos abundam as referências ao mundo da literatura, da música e do cinema. Acompanharam-me as deliciosas descrições da culinária nipónica.
Neste livro, em particular, encontrei um humor que muito apreciei.
O primeiro capítulo é algo do mais extraordinário e divertido que já tive a sorte de ter lido.

Uma vez mais fico prostrado e rendido a este incomparável fazedor de mundos.

Boas leituras a todos.

sábado, 12 de outubro de 2013

D. Dinis - A quem chamaram O Lavrador , Cristina Torrão - Opinião



D. Dinis, sexto monarca português, marcou profundamente a consolidação do reino através dos seus quarenta e seis anos de governação. Fundou a primeira universidade portuguesa, substituiu o latim a língua portuguesa nos documentos oficiais, reformou quase todos os castelos, foi um diplomata de excepção, admirado, inclusivamente pelo Papa, incrementou a agricultura, a pesca e o comércio, amante da poesia e da música, ficou imortalizado pelos seus cantares. Mas a tragédia também assolou a sua alma, primeiro foi o conflito armado com o irmão, no final da vida, a dilacerante guerra com o seu próprio filho herdeiro. A seu lado, estava uma rainha de excepção, Isabel de Aragão, com a qual nem sempre as relações foram fáceis…
Neste romance, Cristina Torrão, autora do romance histórico Afonso Henriques – O Homem publicado pela Ésquilo, conduz o leitor à intimidade de um Rei justo, sábio e poeta. Nunca a esfera íntima de D. Dinis foi descrita com tanto detalhe e faceta humana.


Terminada a que já se tem tornado habitual pausa estival que faço na leitura e no blogue venho hoje partilhar a minha visão sobre este livro de Cristina Torrão.

Acabei a sua leitura há já alguns meses e tal facto justifica uma menor presença em mim da agradável sensação que me ficou ao terminá-lo, como um perfume que ao longo do tempo vai perdendo a sua fragrância. Não deixa de cheirar bem, apenas se sente menos o seu efeito. Para o bem e para o mal o tempo tem destas coisas.

Nesta obra narra-se a história de D. Dinis, enquadrando-a em todos os factos Históricos relevantes no período da sua vida. Viajamos pela História de Portugal, de Espanha, da Europa. Ao mesmo tempo que caminhamos por entre factos que a autora desenterrou dos arquivos (estou a imaginá-los poeirentos, húmidos e com teias de aranha... clássico), que conhecemos a biografia deste soberbo monarca de pelo na venta, somos embrenhados numa narração com componentes romanceados muito interessante.

Adorei o modo como a autora enquadrou a ficção no contexto histórico. Momentos houve em que não percebia se o trecho que lia pertencia à História ou ao romance e acredito que isso aconteceu por mérito da escritora.

Adorei conhecer a vida deste Rei por quem sempre senti bastante simpatia mas que, depois desta obra, admiro profundamente.

Recomendo, obviamente, a leitura desta obra a todos aqueles que se interessem, seja pelo género, pela História, ou tão somente por ler um "conto" interessante e bem escrito.

Não posso deixar de mencionar um facto digno de registo. Quero agradecer publicamente à autora a sua generosidade ao ter-me dado a possibilidade de ler a sua obra, ainda por cima, acompanhada de uma simpática dedicatória.

Obrigado, Cristina.

Boas leituras a todos.