sábado, 16 de novembro de 2013

Duas Gotas de Sangue e um Corpo para a Eternidade, Carina Portugal - Opinião



"Em pleno séc. XVI, a Inquisição lavra as terras de Inglaterra. Numa aldeia remota, um inocente amarrado à fogueira amaldiçoa todos aqueles que o condenaram à morte. As suas palavras acordam os espíritos da Natureza, e as gémeas Alaina e Leanora pressentem-no. Contudo, o que poderão fazer duas curandeiras para os deter? Além disso, ambas escondem um segredo que as poderá matar ‒ o seu próprio amor."


Opinião:

Não é nada comum encontrar neste espaço opinião a contos ou noveletas, sejam eles, ou elas, individuais ou agregados em volume. Quem me é mais próximo vai já conhecendo a embirração que tenho com este género de escrita, não por princípio ter algo contra o conceito mas porque, regra geral, não sinto grande prazer com a sua leitura. Não aprecio muito aquele acabar tão depressa como começa.

Reconheço veracidade numa crítica que me foi feita no sentido de que não sei ler este tipo de publicação. Leio livros de contos como quem lê romances, tudo de enfiada, à bruta e, normalmente, acabo farto e desiludido.

- Ah, mas isso não se lê assim! Lês um conto, fazes uma pausa, vais fazer outra coisa, o amor, talvez, e depois lês mais outro. Um livro de contos é para ser consumido com regra, é para ser degustado.

Acredito piamente que sim. Daí que reconheça que não sei ler livros de contos e, por norma, prefiro não o fazer.

Terminado o intróito onde coloco a minha declaração de interesses, neste caso de embirração, com o género, faço orelhas moucas aos meus argumentos e dou por mim a ler e opinar este texto de Carina Portugal.

O enredo decorre na Inglaterra do século XVI, numa pequena aldeia que pulula de actividade, sendo uma das principais a caça às bruxas. Neste ambiente Inquisitório e cru somos apresentados a duas irmãs gémeas, as nossas personagens principais, também elas pertencentes ao hermético meio herético de conhecedoras de medicina tradicional e adoradoras da Natureza. Existem vários personagens intervenientes na acção sendo que alguns dos quais interferem de forma directa e preponderante com o rapidamente anunciado rumo narrativo. Um conto de cariz sobrenatural com umas pinceladas de tensão sexual algures pelo meio.
A partir deste ponto tudo o que possa revelar poderá prejudicar futuros leitores.

De leitura veloz e final abrupto mas não previsível devo manifestar que gostei deste conto. A escrita da Carina é competente e não desagrada. Em pouquíssimo tempo li este Duas Gotas de Sangue e Um Corpo para a Eternidade e o balanço é positivo.

Espero voltar a lê-la, mas gostaria de fazê-lo num registo onde me sinta mais habilitado para o poder apreciar e comentar com propriedade.
Aguardo, por isso, que, se isso fizer parte dos planos desta autora, que ela possa publicar um livro num outro registo, que não o dos contos, onde não me sinta como um peixe fora de água.

Resumindo e concluindo não posso deixar de recomendar esta noveleta a todos aqueles que gostam do género ou que, como eu, estão receptivos a fazerem-lhe umas incursões ocasionais.

Para quem estiver interessado deixo aqui o link onde podem fazer download gratuito desta obra da Carina Portugal:
https://www.smashwords.com/books/view/374171

Boas leituras a todos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Indignação, Philip Roth - Opinião




Philip Roth é um escritor soberbo. Apetece-me iniciar a minha opinião deste modo.
Urge-me esclarecer de chofre que Philip Roth é um escrevedor com uma capacidade ímpar de imaginar e pintar pormenorizadamente cenários aparentemente simples mas de difícil acesso e explanação ao mais comum dos escritores.

Em Indignação o nosso autor explora a emancipação de um jovem, Marcus Messner, em particular a sua ida para a Universidade;
a transferência desse estabelecimento de ensino para um outro a milhas de distância para fugir ao pai que parece estar a perder a noção da realidade;
as peripécias, os pensamentos, as dúvidas, os medos, a coragem, as estupidezes e brilhantismos deste jovem judeu ateu numa Universidade supostamente secular mas que obriga os discentes a atender a cultos religiosos;
a divertida exploração da sexualidade por este inexperiente jovem - ainda para mais nos anos 50;
a memória da sua educação e crescimento, o trabalho com o pai no talho kosher da família, a matança dos animais de acordo com o ritual impreterível, as lâminas e o sangue;
a força da sua mãe;
a Guerra, as lâminas e o sangue;

Tudo isto com uma profundidade e realismo notáveis mas sempre sem perder uma capacidade de humor que me surpreendeu constantemente ao longo de toda a obra.
A pintura da sociedade da época plena de significado e reflexões inesgotáveis.

Tenho o hábito de dobrar um cantinho das páginas que possuem passagens que considero importantes ou, por este ou outro motivo, de um relevo substancial. Tive de me refrear um pouco porque a páginas tantas já não havia tantas páginas por dobrar como já dobradas...

Este livro foi para mim uma surpresa maravilhosa. A sua leitura fluiu escorreita e deliciosa.
Um dos melhores livros que tive o prazer de ler este ano, de uma qualidade absolutamente iniludível.

Recomendo vivamente a todos aqueles que gostam de narrativas com profundidade e alguma reflexão, embora seja perfeitamente acessível mesmo àqueles que não desfrutam tanto desse tipo de escrita.

Boas leituras a todos.

domingo, 10 de novembro de 2013

A ler: Indignação - Philip Roth



Sinopse:

Indignação é o vigésimo sétimo livro de Philip Roth, conta a história da educação do jovem Marcus Messner nas circunstâncias assustadoras e nas obstruções anómalas que a vida acarreta. 

É uma história de inexperiência, loucura, resistência intelectual, descoberta sexual, coragem e erro contada com toda a energia criativa e todo o engenho de que Roth é possuidor. 

É simultaneamente uma ruptura inesperada com as narrativas obsidiantes da velhice e suas experiências que são os seus livros mais recentes e um poderoso aditamento às investigações do autor sobre o impacto da história da América na vida do indivíduo vulnerável.


Críticas de imprensa:

«Uma parábola pós-moderna sobre as tragédias da pequena moralidade.»
José Riço Direitinho, Ler 

«Philip Roth, considerado o maior escritor americano vivo, sempre gostou de criar personagens metidas em apuros, seja por causa dos seus actos irreflectidos, estúpidos ou negligentes, seja da pressão da História ou de acontecimentos exteriores à razão e à vontade. [...] Este livro, cujo título é inspirado no hino nacional chinês (pág. 71), funciona como um protesto, de Marcus [Messner] e de todos nós. Uma arma poderosa mas nem sempre eficaz perante o absurdo do mundo.»
Helena Vasconcelos, Público

sábado, 9 de novembro de 2013

Ossos, Stephen Booth - Opinião



Inserido na categoria de policial, este livro de Stephen Booth foi a leitura que me acompanhou ao longo de quase duas semanas.
Ossos relata a busca por uma jovem desaparecida há dois anos e a resolução de um assassínio sangrento em Withens, uma pacata localidade inglesa. Os heróis são Diane Fry e Ben Cooper que, a duas mãos, nem sempre fazendo força na mesma direcção, vão fazendo os possíveis para desvendar os mistérios que se desenrolam.

A narrativa decorre num ritmo por vezes bastante lento. Várias são as abordagens e temáticas que o autor vai explorando e que fazem com que a acção se desenrole sem pressas. Algumas dessas histórias paralelas acabam por se concretizar com importância na fase final da obra, outras servem para criar um ambiente bastante negro e depressivo - como todo o enquadramento de Withens, suas origens e a sua provável falta de futuro - duas delas, as de Diane e Ben, enquadram-se na perspectiva de que este é o quarto livro com estes dois personagens, existindo, por isso, um passado a explorar, um presente a desenvolver e, talvez, cenas de próximos capítulos para introduzir. Porventura uma ou outra excursão narrativa não tenha consequência alguma, mas pode-se dar o caso de vir a ser continuada num outro livro.

No que diz respeito ao que senti com esta leitura, em verdade vos devo dizer, neste caso escrever, que não estamos perante uma obra que me tenha enchido as medidas. Talvez por deficiência minha nunca consegui ligar-me com o enredo, com a escrita e nem com a tradução ou revisão. Não considero Ossos um mau livro, a leitura não foi desagradável, existem dois ou três excerto a levar em conta mas... não foi nada que tivesse gostado muito.
Acredito que a circunstância de não ter lido os anteriores volumes com estas personagens possa ter-me obstaculizado de algum modo mas não será, talvez, apenas por esse motivo.

Não deixo de recomendar este livro por aquilo que dele achei. Aliás, nunca aconselharia a não leitura nem que fosse das Páginas Amarelas mas utilizo, apenas, a minha opinião como uma advertência para aqueles que venham a ter a mesma sensação de incompletude perante este livro.

Deixo-vos, para vossa mais completa informação acerca de Ossos, as opiniões de alguns colegas bloggers:
Menina dos Policiais
Os Livros Nossos
Destante


Boas leituras a todos.